O podcast Quatro e Vinte está de regresso com a notícia do lançamento esta semana do quarto inquérito nacional à população geral sobre o consumo de drogas lícitas e ilícitas. O estudo encomendado pelo SICAD a uma equipa da FCSH, coordenada pelo sociólogo Casimiro Balsa, realiza-se de cinco em cinco anos e aponta para uma subida ligeira do consumo de bebidas alcoólicas, tabaco e canábis. Nesta última verifica-se uma subida do consumo da população jovem entre as mulheres e uma descida nos homens. Os números do consumo mantêm-se bem abaixo da média europeia.
O anunciado investimento da canadiana Tilray, uma das maiores empresas dedicadas à canábis medicinal no Canadá, na produção de canábis em Cantanhede, obteve luz verde do Infarmed. A empresa quer produzir 8 toneladas de canábis, numa primeira fase, com destino ao mercado alemão, que legalizou a prescrição médica de canábis este ano. A empresa vai investir 20 milhões de euros e dar emprego a 100 pessoas, entre trabalhadores agrícolas e investigadores. Trata-se de um dos maiores pólos europeus de produção de canábis que vai ficar sediado no Biocant, o parque tecnológico de Cantanhede. A Ordem dos Médicos deve emitir um parecer sobre a prescrião médica de canábis em Portugal antes do fim do ano.
Ainda na canábis medicinal, correu mundo a notícia do pequeno Billy, uma criança de onze anos com autismo e epilepsia grave e incurável. Por causa da proibição das leis britânicas, Billy, que vive na Irlanda do Norte, começou a usar óleo de canábis nos Estados Unidos e o resultado foi tão surpreendente, que se tornou no primeiro habitante do Reino Unido a obter uma autorização de importação deste óleo. Billy Caldwell tinha quase cem ataques epilépticos diários antes do tratamento e está agora há mais de 300 dias sem um único ataque.
No Uruguai, a venda de canábis nas farmácias foi alvo de um boicote por parte dos bancos. As leis norte-americanas impedem transações com bancos que lidem com dinheiro ligado às drogas ilegais, o que provocou que os bancos ameaçassem fechar as contas das farmácias inscritas no programa governamental. Para contornar a situação, o governo uruguaio vai abrir licenças para lojas que se dediquem exclusivamente à venda da canábis controlada pelo Estado, operando o seu negócio apenas com dinheiro vivo.
O mesmo acontece na Califórnia, onde os deputados estaduais acabam de aprovar uma proposta para que o Congresso reclassifiqeue a canábis, tirando-a da tabela 1, onde estão as drogas mais perigosas. Para além das implicações na gestão das contas bancárias de milhares de empresas ligadas à canábis medicinal e recreativa, a reclassificação permitiria levantar os entraves à investigação científica sobre a planta. A Califórnia prepara-se para acolher o maior mercado mundial de canábis legal, após a aprovação da legalização no referendo do ano passado, e já há uma proposta de regulamentação do negócio. Entre as restrições previstas está a proibição da entrega de canábis através de drones, robôs ou bicicletas.
Também em destaque nesta edição estão os casos judiciais que envolvem altos responsáveis da polícia anti-droga em Portugal e em França, onde o ex-líder do gabinete central para a repressão do tráfico está a ser acusado de proteger o seu principal informador e um dos grandes traficantes de haxixe no centro da Europa. Em Portugal, os arguidos da Operação Aquiles, que conta com antigos altos dirigentes da Judiciária, saberão no dia 17 de outubro se vão a julgamento por receberem contrapartidas financeiras em troca da ajuda com informações preciosas aos narcotraficantes.
Por fim, estreou a terceira temporada da série Narcos, em que a saga do agente justiceiro da agência antidroga norte-americana vira-se agora para o cartel de Cali. ntre as habituais cenas de ação e histórias de traições, a terceira temporada de Narcos continua a basear-se em acontecimentos reais, com destaque para a cumplicidade dos cartéis com as várias agências norte-americanas que intervêm na Colômbia e, claro, com o poder político e policial que está sempre no bolso dos traficantes. A próxima temporada deve passar-se no México, mas a produção sofreu uma baixa. O responsável por encontrar locais de filmagem apareceu morto este mês, com o corpo cravado de balas abandonado num local ermo perto de San Bartolo Actopan, no estado de Hidalgo. Ainda nada se sabe sobre o que esteve na origem deste assassinato.
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