Há 10 anos foi assim...
Em Abril de 2012, o governo de Passos Coelho - Paulo Portas anunciava o encerramento da Maternidade Alfredo Da Costa (MAC), em Lisboa. Motivados por razões economicistas e pela localização física da MAC ser num local de elevada especulação imobiliária, a decisão deixou profissionais e utentes revoltados. A MAC era na altura o local onde ocorria o maior número de nascimentos em todo o país, onde era assistido o maior número de bebés prematuros e onde existia o maior centro público de Medicina Reprodutiva. Era ainda o local de referência para gravidezes de risco, recebendo anualmente centenas de grávidas referenciadas de outros hospitais da área de Lisboa e arredores.
Por iniciativa de alguns utentes e profissionais da MAC, no dia 11 de Abril daquele ano, foi convocada uma manifestação contra o seu encerramento que consistia em fazer um cordão humano à volta do edifício. O número de pessoas que se juntou no “Abraço à MAC” dava para realizar dois cordões humanos à volta da maternidade. Meia hora antes da hora marcada já o cordão estava constituído, mobilizando os profissionais que lá trabalham, mas também familiares, amigos e muitas pessoas que vieram simplesmente dizer: “Eu quero a MAC aberta!” Num clima de grande indignação as pessoas questionavam, em pancartas e nas conversas, porquê encerrar um serviço de qualidade? E uma faixa acusava: “Fechar a MAC é ceder ao negócio”. Com grande emotividade ouviu-se “Eu nasci aqui”. O deputado João Semedo, do Bloco de Esquerda, afirmava que a decisão era “um erro gravíssimo” do governo que não apresentou “um único argumento válido para encerrar a maior e a mais diferenciada maternidade do país”.
Poucas semanas depois do “Abraço à MAC”, o governo anunciava a desistência do projeto de encerramento. Ainda hoje a MAC continua a ser a maior maternidade do país, estando atualmente prevista a sua transferência para o Hospital Oriental de Lisboa, cujo início da construção está previsto para esta legislatura.