Valha-nos São Precário!

porAndré Beja

04 de setembro 2010 - 21:25
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Ratzinger não deixa de surpreender quem, mesmo não acreditando, está atento ao que a Igreja vai dizendo.

Podem descansar os precários e as precárias deste país e de todo o mundo. O problema que lhes empata a vida tem afinal uma solução à dimensão da sua fé.

No início de Setembro, em missiva enviada à humanidade a propósito das Jornadas Mundiais da Juventude que terão lugar em Madrid em Agosto do ano que vem, Bento XVI é peremptório: " A procura de um posto fixo de trabalho, que permita terra firme sob os pés, é um problema grande e de peso". No entanto, o chefe do Vaticano esclarece que os verdadeiros pontos de referência dos jovens residem na fé e em estar próximo dos valores que são a base da sociedade" e que "provêm do evangelho".

Ratzinger não deixa de surpreender quem, mesmo não acreditando, está atento ao que a Igreja vai dizendo. E aqui diz-nos, nas entrelinhas, que estão bem vivas as velhas alianças com o poder e a ordem estabelecida, ordem essa que, no momento actual do capitalismo, tenta fazer valer a crença de que a precariedade é o sentido natural e lógico para o mundo do trabalho.

Não deixa de ser uma mensagem interessante, cheia de fé e esperança, onde o autor evoca a sua juventude (?!) para apelar a uma atitude contra o conformismo e a descrença. Palavras importantes, seguramente, e até libertadores, mas ensombradas pela indesculpável relativização que faz dessa violência que paira sobre as nossas vidas...

É caso para dizer: Valha-nos São Precário! E acender-lhe uma velinha para que não nos faltem as forças para lutar.

André Beja
Sobre o/a autor(a)

André Beja

Enfermeiro, doutorando em Saúde Internacional no IHMT/NOVA. Deputado municipal em Sintra, eleito pelo Bloco de Esquerda
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