Uma greve contra o abuso

porRaquel Azevedo

09 de janeiro 2020 - 14:21
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No dia 23 de dezembro, os call centers voltaram a parar. Por todo o país, dando continuidade à greve de 31 de outubro. Novamente, trabalhadores/as de várias cidades de norte a sul, litoral e interior não faltaram à chamada e ... recusaram atender as chamadas!

Os call centers crescem cada vez mais em todo país, tornando-se nos últimos anos num setor com trabalhadores/as de diferentes faixas etárias e formações. Um trabalho que emprega, em muitos casos ao longo de anos, famílias inteiras.

Esta greve construiu-se pela ação, em dois grandes momentos. Antes: toda a mobilização feita junto destes/as trabalhadores/as, sendo que as estruturas sindicais tiveram aqui um papel importante de informação e ação que se vem desenvolvendo mais neste setor, não substituindo a necessária ação de base e alargamento da resposta coletiva.

Chegado o período de greve, foi convocada manifestação para dia 24 de dezembro, dia simbólico pois é a véspera de natal. Muitos/as destes/as trabalhadores/as nunca conseguem estar em repouso nestas datas, o que dá a esta greve um significado importante. A adesão a esta segunda greve foi dos 60% aos 100% dependendo dos dias e dos vários locais onde se fez greve, pois em dias como dia 24 e 25 de dezembro ou 31 de dezembro as adesão tem picos maiores, tendo em certos locais de trabalho fechado turnos por falta de pessoal.

O interior volta a ter um importante destaque pela sua adesão, sobretudo em cidades como Castelo Branco. Esta greve teve e tem como reivindicações: uma convenção coletiva para o setor; salários compatíveis com as funções altamente qualificadas desempenhadas pelos trabalhadores/as; melhores condições de trabalho; subsídio para atendimento em língua estrangeira; horário diário de trabalho máximo de 6 horas e 30 semanais sem perda de remuneração; diuturnidades a compensar a antiguidade na empresa; integração nos quadros efetivos das empresas utilizadoras.

O ano de 2019 termina em luta. E em 2020... a luta continua!

Raquel Azevedo
Sobre o/a autor(a)

Raquel Azevedo

Operadora de Call Center – Vila Nova de Famalicão, ativista sindical
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