Um orçamento de estado que continua a abandonar o Algarve!

porJoão Vasconcelos

10 de novembro 2022 - 0:06
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O Orçamento de Estado para 2023 continua a abandonar o Algarve – não há investimento público, obras estruturantes há muito anunciadas continuam a não passar do papel, os investimentos nos Hospitais de Faro e de Portimão ficam por fazer...

O Algarve é a região do país em que, por força da pandemia e da monocultura do turismo, a crise tem sido mais aguda, com elevados índices de desemprego, de precariedade, encerramento de muitas micro e pequenas empresas e de exclusão social. Os apoios do governo, ou não existiram, ou foram muito insuficientes.

Com a invasão russa e a guerra na Ucrânia a crise socioeconómica está a fazer-se sentir com grande intensidade na região, ainda não refeita das negativas consequências da Covid. As dificuldades dos trabalhadores e populações algarvias não param de aumentar, acrescidas com uma inflação e carestia de vida acima dos 10%, a precariedade e os baixos salários.

O Orçamento de Estado para 2023 do governo PS é mais do mesmo e não corresponde às urgentes necessidades do país, Algarve incluído. Agora, com o disparar da inflação para níveis incomportáveis, o aumento exorbitante das taxas de juro, os preços e os impostos a subir, adivinha-se a tempestade perfeita. Os trabalhadores vão ter um corte real nos salários e pensões, tanto no setor público como no privado e a reestruturação empresarial poderá levar ao despedimento de milhares de trabalhadores. Com este Orçamento o povo português vai ficar mais pobre, sobretudo no Algarve, pois continua a não dar resposta e agrava ainda mais a vida das pessoas. A degradação dos serviços públicos vai ser uma realidade, com destaque para o Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública.

O Orçamento de Estado para 2023 continua a abandonar o Algarve – não há investimento público, obras estruturantes há muito anunciadas continuam a não passar do papel, os investimentos nos Hospitais de Faro e de Portimão ficam por fazer, a requalificação da EN 125 entre Olhão e Vila Real de Santo António transformou-se numa autêntica miragem, a modernização do transporte ferroviário regional ainda não existe, a operacionalização de um plano de gestão e eficiência hídrica e a requalificação de portos e lotas e o desassoreamento de barras e canais tardam em sair dos gabinetes. Apenas se propõe iniciar os procedimentos para a construção do tão almejado Hospital Central que já constavam no Orçamento de Estado para 2019 e 2020, por iniciativa do Bloco de Esquerda. O Hospital Central do Algarve tem servido, ao longo dos últimos 20 anos, como arma de ping pong entre o PS e PSD, os verdadeiros responsáveis por esta obra estruturante ainda não ter visto a luz do dia, com manifesto prejuízo óbvio para o Algarve e as suas populações.

Tanto o Orçamento de Estado como o Plano de Recuperação e Resiliência deverão ser instrumentos para a diversificação da economia da região pelo apoio a projetos com forte componente de inovação em áreas como as energias alternativas, a investigação agrária e o reordenamento do território.

O que o governo tem a fazer é canalizar os investimentos que o Algarve necessita, uma região tão duramente atingida pela crise. Importa robustecer os apoios para a construção de habitação para todos. Assim como promover a subida real dos salários dos seus trabalhadores e adotar medidas de combate à precariedade, ao desemprego e contra a pobreza e a exclusão social.

Com este Orçamento de Estado e num quadro de maioria absoluta, o governo PS e os seus governantes continuam, de forma ostensiva, a abandonar o Algarve, os seus trabalhadores e as suas populações. Em vez de sacrificar os trabalhadores e restante população, o que o governo devia fazer era pedir contas ao grande patronato pelos lucros imorais que agora está obtendo na eletricidade, nos combustíveis, nos bens alimentares, na habitação e no setor bancário.

Em vez de cobrar ao patronato a falsa “responsabilidade social” que apregoa, encosta-se a ele e impõe um Orçamento que nem chega para os mínimos da Saúde, da Educação e dos apoios sociais. Mas para a guerra, escandalosamente, já parece ser possível, ao ir atrás das propostas da direita em aumentar as verbas para o setor da “Defesa”.

João Vasconcelos
Sobre o/a autor(a)

João Vasconcelos

Professor. Mestre em História Contemporânea.
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