Travar a desumanidade

porAlda Macedo

14 de junho 2025 - 21:25
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Cabe-nos a nós, o povo, defender o direito à vida e à liberdade do povo da Palestina. É preciso multiplicar as iniciativas de solidariedade com a Palestina.

A vaga de crescimento da extrema-direita, que assola o mundo e ameaça afogar todos os vestígios de humanidade, não permite nenhuma distração nem nenhum alheamento. Não é tempo de ceder à tentação de ficar na expectativa, é tempo de juntar gente para fazer o que falta.

Impedir que a selvajaria, o discurso do ódio e da violência se instalem, convoca-nos a todos, em todas as esferas de intervenção política para agir. É preciso defender os direitos de emigrantes, o respeito pelo trabalho, defender os direitos das mulheres, defender os direitos das minorias, defender a liberdade de expressão e de criação artística. Ao mesmo tempo, tendo a consciência de fazermos parte de um todo global e que é preciso defender o ecossistema em que vivemos, e isso inclui todos os povos do mundo, sujeitos a agressão como a que têm vindo a enfrentar o povo palestino.

Não foi de um dia para o outro que o governo de Netanyahu decidiu dizimar os Palestinianos na Faixa de Gaza e destruir todo o vestígio da sua história e da sua cultura. A desumanidade de que o governo de Israel dá hoje provas, foi crescendo e agravando a sua fúria destruidora ao longo de muitas décadas, com a cumplicidade ativa dos governos europeus e dos Estados Unidos.

Foi em 1967, depois da Guerra dos Seis Dias, que Israel começou a controlar a Faixa de Gaza, a promover a ocupação do território por meio de colonatos, numa perspetiva expansionista, em total desprezo pela vida e pela segurança dos palestinianos.

Quando, em 2006, o Hamas ganhou as eleições para formar governo, Israel deu, juntamente com o Egipto, início ao bloqueio da Faixa de Gaza.

Ficou criada ali uma situação insustentável. Os Palestinianos foram remetidos a uma vida de pobreza extrema, controlados nas suas movimentações, sujeitos a cortes no abastecimento de eletricidade e dificuldade de acesso a água potável, cada vez mais dependentes do Hamas para a sua sobrevivência. E isto, com o apoio da União Europeia, da Rússia e dos Estados Unidos. De então para cá, o objetivo de ocupação violenta por parte do Estado de Israel foi crescendo em hostilidade.

Por estes dias, a Comissão de Inquérito Internacional Independente, organismo das Nações Unidas, que tem vindo a fazer a avaliação do cumprimento do direito internacional em Gaza e na Cisjordânia, apresenta o seu mais recente relatório em que explicitamente fala de genocídio em Gaza. Segundo esse relatório, os ataques contra hospitais, escolas, universidades e locais religiosos apontam para a intenção de extermínio da população, a escolha das crianças e dos jovens como alvos estratégicos.  Vai ainda adiante, o objetivo é exterminar as pessoas e os vestígios da sua cultura.

Os governos das direitas, por esse mundo fora assobiam para o lado, os Estados Unidos continuam a apoiar Netanyahu, mas na Europa, onde o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de captura de membros do Governo de Israel, Netanyahu incluído, por crimes contra a humanidade, poucos declararam que cumpririam esse mandato.  Viktor Órban anunciou a sua desvinculação do TPI, o governo francês advoga o direito à impunidade de Netanyahu, a Alemanha e a Itália não de comprometem, os restantes calam-se. Exceção feita à Irlanda, Espanha, Países Baixos e Lituânia.

Cabe-nos a nós, o povo, defender o direito à vida e à liberdade do povo da Palestina. É preciso multiplicar as iniciativas de solidariedade com a Palestina. Elas têm sido importantes e devem crescer. É preciso chamar todos e todas que não se conformam com a selvajaria.

Esta exigência básica do direito à vida e à liberdade é tão essencial que pode e deve juntar todos aqueles e aquelas que se reclamam do campo da solidariedade, do respeito pelos direitos humanos e da liberdade, da defesa da vida e da segurança porque é preciso mudar o rumo dos acontecimentos.

Alda Macedo
Sobre o/a autor(a)

Alda Macedo

Professora
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