Stop Bullying

porTânia Ramos

18 de fevereiro 2022 - 21:45
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É preciso dizer basta e, de uma vez por todas, definir uma estratégia nacional de combate ao Bullying. Proteger as vítimas tem de ser uma prioridade, tal como capacitar o sistema escolar para tal.

Este é o meu próprio testemunho como vítima de bullying. Já passaram 20 anos e percorro cada sala de aula, cada ida ao pátio como se o fizesse neste preciso momento, recordo em detalhe as roupas que levava quando sofria os comentários mais violentos e as esperas. Ainda sei o tom da música que inventaram sobre mim. Sei a tarde em que o primeiro telefonema ocorreu, ameaças porcas e cheias de ódio e raiva. Todas as minhas agressoras têm uma cara e um nome, e se fosse tão má como elas foram para mim, queria agora @identificar uma a uma neste artigo, para passarem pela vergonha de me terem feito sofrer tanto, sem nenhuma razão.

Queria pôr as suas fotos, tipo o “wanted”. Porque muitas delas são hoje mães e alguns pais. Nunca houve um pedido de desculpa, porque o bullying é aquele tipo de violência entre miúdos, desvalorizada, levada ao colo com a mama de que sempre existiram alcunhas, e o amigo gozado do grupo, e os carolos, e as esperas para dar um susto no puto tímido. No pensamento de muitos e na boca de alguns ainda defendem que só faz bem, é crescimento.

Ora façam-me um grande favor, liguem ao pai do Drayke que perdeu o seu filho pelas garras maléficas do bullying, e perguntem que crescimento é a morte.

A violência do bullying causa marcas iguais às de uma cicatriz, a dor até pode passar, mas a lembrança de que um dia fomos feridos permanece para sempre.

O Drayke estava no Utah, mas a Ânia frequenta uma escola no Seixal, e desde o início do ano sofre de bullying às mãos dos colegas de turma, ameaças constantes, violentada psicologicamente, a sua integridade física constantemente ameaçada. A Ânia foi tão massacrada que a levou ao limite do desespero e pedir para ser transferida para outra escola do concelho. Foram e-mails, reuniões, direção da escola envolvida, a comunidade escolar sabe, a CPCJ a DGEST e a Escola Segura também. Todos sabem, mas não querem saber.

Enquanto o sistema não funcionar na proteção das vítimas e se verificar a não existência de um protocolo escolar de combate ao bullying, a Ânia terá de continuar a faltar à escola enquanto os seus agressores continuam a assistir normalmente às aulas, como se nada fosse.

É preciso dizer basta e, de uma vez por todas, definir uma estratégia nacional de combate ao Bullying. Proteger as vítimas tem de ser uma prioridade, tal como capacitar o sistema escolar para tal. Para isso é urgente implementar-se uma política anti-bullying nas escolas, envolvendo toda a comunidade educativa de modo a criar um ambiente escolar seguro.

Criar políticas anti-bullying que façam parte do currículo, plano anual de atividades e do regulamento interno. E informar, sensibilizar e mobilizar sempre que possível, porque, “Uma em cada cinco crianças e adolescentes sofre de perturbações de saúde mental. Em Portugal, nenhum outro problema de saúde tem tanto peso na qualidade de vida entre os 5 e os 19 anos como as perturbações de saúde mental, sobretudo a depressão e a ansiedade. Mas nenhum outro problema de saúde tem tão escassa resposta no país. “Fonte: Health Behaviour of School-aged Children e Organização Mundial de Saúde

Esta é uma guerra silenciosa que atinge muitos lares portugueses, arruinando a vida de cerca de 40 mil crianças.

As atitudes dos agressores são de tal forma constrangedoras e perturbadoras que as vítimas acabam por se sentir insignificantes e sem valor.

Quando não há medidas preventivas ou que visem solucionar o problema, o ambiente escolar torna-se totalmente contaminado, em que todas as crianças observarão atos de violência, sentimentos de ansiedade e de medo.

E esta é a urgência, começar o mais rapidamente possível com implementação de medidas preventivas deste tipo de comportamento, que contribuirão para um incentivo à não violência na sociedade e a implantação de um Plano Nacional de combate ao Bullying.

#DoItforDrake e #PorTodos

Tânia Ramos
Sobre o/a autor(a)

Tânia Ramos

Deputada Municipal do Bloco de Esquerda em Palmela
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