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A sociedade precisa de se insurgir contra a violência de género

Dados, ainda não publicados, do Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR mostram que, entre 1 de janeiro e 30 de outubro de 2014, ocorreram 34 femicídios. É de muitas vozes que precisamos para acabar com os abusos, denunciar a violência e salvar vidas.

Em novembro assinalamos o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Este ano uma iniciativa conjunta da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, da AMCV – Associação de Mulheres Contra a Violência e da APMJ – Associação Portuguesa de Mulheres Juristas, que teve lugar no dia 1 de Novembro, junto à Maternidade Alfredo da Costa, lembrou as 32 mulheres vítimas de femicídio, que à data, eram o número de vítimas conhecidas em Portugal.

Iniciam-se agora os ‘16 Dias de Ativismo contra a Violência de Género’, uma campanha internacional, iniciada em 1991, que se realiza, em mais de 140 países, entre os dias 25 de novembro – Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres e o dia 10 de Dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos. Em Portugal muitos grupos e várias associações promovem iniciativas (ver cartaz abaixo) para denunciar a violência contra as mulheres e sensibilizar as populações para este combate.

O relatório anual de monitorização ‘Violência Doméstica 2013’, publicado pela Direção Geral de Administração Interna, diz que só no primeiro semestre de 2014 foram registadas 13.071 participações de violência doméstica pelas forças de segurança e que comparativamente ao período homólogo de 2013 verificaram-se mais 291 participações. Os dados, ainda não publicados, do Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR mostram que, no período entre 1 de Janeiro e 30 de Outubro de 2014, ocorreram 34 femicídios em relações de intimidade presentes e passadas e ainda em contexto de relações familiares privilegiadas.

Os números comprovam a importância da mobilização para ações de rua que insistam na denúncia destes crimes e promovam a visibilidade desta luta junto das pessoas. Os progressos legislativos e a aplicação da lei não têm sido suficientes para travar os assassinos. O maior conhecimento científico e a produção académica, quer no âmbito da criminologia, quer no âmbito dos estudos das mulheres, avançam pistas que informam os poderes públicos. Mas também não bastam. Precisamos de um movimento popular que nas ruas denuncie a violência e exija justiça para as mulheres. A violência de género não é uma questão só das mulheres. A sociedade precisa de se insurgir contra a violência de género em defesa da justiça, da paz e da igualdade.

Numa campanha contra a violência doméstica um movimento de mulheres criou um postal onde se lê: ‘Grita. Grita mais alto! Grita ainda mais alto! Para que os teus vizinhos te oiçam e possam gritar contigo.’ E é de muitas vozes que precisamos para acabar com os abusos, para denunciar a violência e para salvar vidas.

Hoje, dia 25 de novembro, devemos fazer ouvir a nossa voz, participando nas diversas ações que estão convocada. Porque não somos cúmplices nem indiferentes: Basta de Violência contra as Mulheres!

Sobre o/a autor(a)

Licenciada em Relações Internacionais. Ativista social. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990
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