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Sindicalismo Global e novos desafios, sem correias de transmissão!

Na passada semana, foi publicado um livro intitulado "Inter Nacional" da autoria de Florival Lança, destacado dirigente da CGTP e antigo responsável pelo departamento internacional da Central Sindical, onde já não pertence.

Um livro bastante interessante que pretende mobilizar para o debate sobre a filiação da CGTP na CSI - Confederação Sindical Internacional. Não só faz todo o sentido o debate, como a filiação da central nesta Confederação, pelas oportunidades que comporta para um movimento sindical mais global e mais próximo dos problemas dos trabalhadores europeus à escala global e mundial.

A globalização é para novos desafios, onde se perdem direitos, se deslocalizam empresas, se pratica o dumping social. Os momentos que vivemos são de enorme dificuldade para os trabalhadores a nível mundial, não só pela perda de direitos, mas pelo flagelo social em que se encontram mergulhados milhares de desempregados, o aumento da pobreza e das desigualdades, e uma retoma da economia que tarda em chegar.

Em Portugal o desaparecimento dos contratos colectivos de trabalho coloca-nos à prova para um futuro próximo sobre as condições de trabalho a que estarão expostos milhares de trabalhadores. Este que era um dos principais objectivos das associações patronais está a ser alcançado.

Alguns dos principais objectivos da CSI é que exista uma maior equidade entre os trabalhadores, nos seus direitos a nível internacional, algo que não acontece com a distribuição da riqueza com o aumento da precariedade. Não chega a luta da CES - Confederação Europeia de Sindicatos, como não serve a nossa maior Central Sindical - CGTP - estar mais virada para uma potencial filiação na FSM - Federação Sindical Mundial, posição que é contraditória com a forma de estar no sindicalismo de muitos representantes dos trabalhadores.

A FSM tem maioritariamente apoiantes de países como a China, Índia, Paquistão, Cuba, Venezuela ou Colômbia. Estes são alguns países, onde como exemplos temos o trabalho infantil, o assassínio de sindicalistas ou a falta de respeito pelos direitos humanos.

Na CSI constam 154 países como a Alemanha, sendo um dos países que mais defende o diálogo social na Europa, ou França na defesa dos direitos dos trabalhadores ou o Brasil (através da CUT - Central Única dos Trabalhadores). São sem dúvida exemplos para criar um debate alargado no nosso país sobre como tem de caminhar o sindicalismo global. Não podemos estar entrincheirados dentro do território nacional, como o não fazem as multinacionais.

Não pode este debate estar ausente das nossas mentes, da nossa comunicação social e principalmente dos nossos sindicalistas. mesmo que tenham ideias contrárias devem promover o debate, porque é no debate das ideias que nascem novas formas de enfrentar os desafios do capitalismo contemporâneo, sem correias de transmissão.
 
 

Sobre o/a autor(a)

Coordenador da CT da Faurecia, Parque Industrial Autoeuropa, Dirigente sindical do SITE Sul (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul)
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