Segundo um estudo da Deco, publicado recentemente, o preço de um cabaz de bens alimentares essenciais já subiu quase 15% desde fevereiro passado. De acordo com a associação de defesa do consumidor, o peixe e a carne são os produtos que mais se destacam na subida de preços médios praticados a nível nacional, com subidas de 19% e de 17, 5%, respetivamente.
Todas as semanas a associação vem monitorizando os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares, que comporta bens como frango, peru, carapau, pescada, batata, cebola, cenoura, maçã, laranja, banana, esparguete, arroz ou leite. Um destes cabazes, custa nos dias de hoje 210,43 euros, mais 26,80 euros em comparação com o valor praticado nos finais de fevereiro passado. Como se comprova, trata-se de um valor bem superior ao aumento de preços de 9,3% que o Instituto Nacional de Estatística estimou para o mês de setembro.
O peso no preço dos produtos alimentares no aumento da inflação é deveras significativo, apresentando uma subida de quase 17% em setembro, comparando com o mesmo mês do ano de 2021. Trata-se da taxa mais elevado desde julho de 1990.
Além dos alimentos, é a energia que tem o maior peso na inflação. O preço dos produtos energéticos – gás, combustíveis e eletricidade – registaram em setembro uma variação de mais 22,2%, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. A tendência de subida do custo de vida vai manter-se e a fatura energética, nos próximos tempos, poderá ter um aumento superior a 40 euros.
Outra situação explosiva tem a ver com o aumento das taxas de juro, levando a que muitas famílias não consigam pagar a prestação das suas habitações num futuro próximo. Já se torna verdadeiramente insustentável o que muitas outras famílias têm de pagar pela renda das habitações onde vivem, face aos magros salários que auferem e à subida da inflação. O horror dos despejos espreita a cada dia que passa.
Perante mais uma tragédia – uma nova crise – que se está a abater, com toda a sua violência, sobre as classes trabalhadoras e o povo português, o que faz o governo de António Costa? Envereda por manobras propagandísticas e trapaceiras, escondendo-se atrás da maioria absoluta do PS, de forma autista e arrogante. Anuncia um “bodo aos pobres” de 125 euros por cada português (os mais ricos ainda se ficam a rir) e ameaça cortar mil milhões de euros nas pensões, castigando de forma miserável os que menos têm. Ainda estamos à espera do anúncio de taxar os que mais têm lucrado com a crise – as empresas da energia, farmacêuticas, banca parasitária e grandes superfícies comerciais. E se taxar algumas destas empresas, será a medo e com impostos ridículos e a reboque do que preconiza o Secretário-Geral das Nações Unidas e a União Europeia. Uma vergonha para António Costa e para a maioria absoluta do PS.
Tal como nas crises anteriores do capitalismo, nesta crise será mais do mesmo – se não houver uma resposta a sério. Serão as classes trabalhadoras e o povo português a arcar com todo o seu peso
Tal como nas crises anteriores do capitalismo, nesta crise será mais do mesmo – se não houver uma resposta a sério. Serão as classes trabalhadoras e o povo português a arcar com todo o seu peso. Enquanto os ricos ficam cada vez mais ricos, o povo sofre e empobrece cada vez mais. É chegada a hora de vir para a rua e gritar bem alto que não têm de ser sempre os mesmo a pagar a crise que outros estão a provocar e a beneficiar. O povo, os trabalhadores, os precários, os desempregados, enquadrados ou não nos seus sindicatos devem protestar, de norte a sul do país, que outro país é possível, que o governo tem de atender as suas reivindicações. Que o governo tem de taxar os mais ricos, tem de conceder aumentos salariais que compensem o aumento da inflação, tem de aumentar salários e pensões, tem de a postar no investimento público, tem de defender e melhorar os serviços públicos, como o SNS e a Escola Pública.