Foi há quase 140 anos que ocorreu a Greve Geral do Trabalhadores de Chicago. Reivindicavam a jornada de trabalho de oito horas semanais. Esta greve, inscrita na nossa memória coletiva como um dos momentos mais marcantes na história do movimento operário, conhece uma nova expressão em cada 1º de Maio, ano após ano.
Aquele tempo foi marcado pela tragédia de Haymarket, e é visto como um símbolo de como os direitos do trabalho sempre foram conquistados à custa de coragem e persistência. Os progressos que foram obtidos, ao longo da história, no campo dos direitos do trabalho têm sido objeto de avanços e recuos. A História está longe de estar definitivamente escrita e, no seu caminho, celebramos cada vitória e juntamos forças para enfrentar cada derrota, e logo começar a construir a vitória seguinte.
No dia 18 de outubro, a Catarina Martins apresentou a candidatura à presidência da república. Com ela, neste momento fundador, estiveram presentes representantes de lutas laborais com as quais ela teve uma ligação muito significativa. Foi a escolha de uma candidatura que define o seu lugar do lado dos que se batem pela dignidade dos e das trabalhadoras, pela exigência de condições de trabalho que respeitem a natureza da pessoa, dos que pensamos que a segurança das condições de trabalho, a justiça da remuneração, o respeito pela vida de quem trabalha são exigências fundamentais.
A declaração de candidatura da Catarina vai mais longe. Fazendo um apontamento da sua própria identidade, ela traz um registo de esperança na liberdade e na democracia para iluminar estes dias de ameaça global mais sombria.
A recomposição da extrema-direita, e a forma como os sociais-democratas se vergam diante dela, e dos seus valores, por todo o mundo, levantam um véu de inquietação num tempo da história particularmente sensível. O quadro global de guerras violentas; da impunidade de crimes de guerra; as novas formas de imperialismo expansionista, a complacência com despedimentos e deportações, o aumento do número de pessoas desalojadas e em situação de pobreza extrema, são apenas alguns dos traços gerais dos conflitos com que a humanidade se defronta na atualidade.
Um compromisso como o que a Catarina assume, de defesa, simultaneamente persistente e impaciente, dos valores da democracia, implica um compromisso com uma sociedade que tem que ser de liberdade e de justiça. Isso só é possível quando somos capazes de integrar todas as diferenças, onde a solidariedade é a forma essencial como nos organizamos para cumprir o respeito pelo trabalho, e a proteção dos mais frágeis, onde percebemos que a nossa força coletiva se alimenta de criatividade, de liberdade, de alegria.
O convite da Catarina Martins é um convite para a persistência de organizar forças para enfrentar estes combates pela democracia, pela justiça, pela liberdade. São combates tão antigos, mas para eles reinventamos a cada virar de tempo, novas formas de juntar pessoas, organizar a conquista de modos justos e democráticos de viver a vida toda. E isso tem que ser feito nas organizações de trabalhadores, como nas organizações de moradores, nas associações culturais, nos coletivos de combate pelos direitos de género e de defesa do ambiente. É a força, a energia e a alegria da Catarina que queremos partilhar.