O principal óbice à concretização de um planeamento florestal que permita a rentabilidade das explorações e a adopção das medidas de prevenção de fogos florestais é a reduzida dimensão da propriedade florestal. Somando este aspecto à desertificação florestal, estamos perante uma conjugação de factores que eternizam o drama dos fogos florestais.
Quem trata e cuida da sua pequena propriedade florestal, sabe bem que dela não extrai rendimento que pague as despesas com a sua manutenção, havendo muitos que negligenciam a sua propriedade florestal, quando não a abandonam.
Sucessivas gerações de políticas, promovidas e propostas por forças políticas da esquerda à direita recusam-se a encarar este problema de frente e são, nessa medida, responsáveis pela eternização do flagelo dos fogos florestais.
Por outro lado, a opção por modelos de florestação intensiva com recurso a espécies nocivas e perigosas como o eucalipto, mas também o pinheiro, com vista à obtenção de uma rentabilidade mais elevada, deve ser restringida num quadro de um planeamento sério e equilibrado da floresta.
Impõe-se assim uma verdadeira reforma florestal, assente no emparcelamento e na eventual nacionalização ou municipalização dos solos florestais, quando necessária à prossecução dos necessários instrumentos de planeamento florestal.
Entre uma direita que olha para a propriedade privada como uma “vaca sagrada”, seja quanto ao emparcelamento, seja quanto à restrição do plantio de espécies e uma esquerda patética que vive na ilusão da protecção aos pequenos proprietários florestais sem se dar conta que apenas desprotege os que eventualmente cuidam da sua floresta considerando a incúria de outros, passando por um rebanho de políticos cinzentos que temem uma “Maria da Fonte”, o País continua a arder e a não ter proventos de uma das suas maiores riquezas: a Floresta.
Bem sei, que noutros tempos as matas eram limpas no âmbito de uma agricultura de (in)subsistência, que hoje não existe a não ser na cabeça de idealistas iludidos ou de saudosistas de um ruralismo de má memória.
É tempo de dar uma pedrada no charco e de o Estado e as autarquias locais assumirem o planeamento e, se necessário, a gestão da floresta, protegendo-a e valorizando o seu potencial.
Publicado em “Jornal do Centro” a 23 de junho de 2017