Porta-a-Porta

porAlberto Pestana

20 de dezembro 2025 - 17:40
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A eleição de Zoran Mamdani em Nova Iorque revela a enorme importância da campanha porta-a-porta.

Definiu-se então, que o porta-a-porta era "uma forma organizada com que os militantes contactam, num curto espaço de tempo, milhares de pessoas, com uma mensagem política comum, métodos de contacto uniformes e com recolha de dados quantitativos e qualitativos que permitem retirar conclusões e retomar esse contacto mais adiante."

Ora, o tempo urgia e o partido apostou única e exclusivamente no formato do método. Fez-se formação e formou-se formadores. Tinha que ser assim face às circunstâncias do período eleitoral que se avizinhava.

Mas, no capítulo da mobilização para assumir o porta-a-porta, faltou algo para envolver todo o Partido, pese embora todo o esforço que foi feito por muitos militantes, e houve extraordinários exemplos, sobretudo, em Lisboa, Braga e Aveiro.

Faltou o debate político sobre o Porta-a-Porta para que os militantes verdadeiramente assimilassem a sua importância, desfizessem dúvidas, não sustentassem comparações incorretas com "coisas" parecidas no passado, etc. Muitos foram os obstáculos colocados por uma boa parte da militância para justificar uma menor participação e até a completa ausência.

Havendo debate político sobre o Porta-a-Porta, muitos destes problemas se resolvem, mas, tínhamos de avançar e não havia tempo, mas faço este reparo para que se entenda que sem debate político sobre as coisas a fazer, a militância torna-se fraca e o partido torna-se permeável a um liberalismo comportamental muito perigoso.

A proposta de balanço nacional da campanha porta-a-porta, nas legislativas de 2025, diz que "pretende ajudar os órgãos dirigentes e o conjunto da militância do Bloco a avaliar a experiência do porta-a-porta". Então, não devemos esperar mais para que todos os distritos e as regiões façam as suas avaliações sobre esse trabalho, até porque já se realizaram as eleições autárquicas e nova campanha eleitoral está em marcha, pela candidatura de Catarina Martins às presidenciais.

Defendo que a prática deste modelo de Porta-a-Porta deve ser instituída no Partido para além dos períodos eleitorais. Os benefícios são muitos, desde logo, por livrar-nos da crónica acusação popular feita aos partidos de que só aparecem quando há eleições para pedir o voto!

Fazer o Porta-a-Porta é uma experiência de excelência, é uma escola da militância!

No Porta-a-Porta o Partido vai ao encontro do Portugal esquecido e das vidas sofridas, onde por vezes testemunhamos soluços e lágrimas.

Recentemente e a propósito da recolha de assinaturas pela candidatura de Catarina Martins às presidenciais, num bairro social, uma porta se abriu e gerou-se uma breve conversa com uma mulher. Pouco tempo depois fomos surpreendidos pelas suas lágrimas. Ela não sabia, mas deu-nos uma força imensa! É este o poder do Porta-a-Porta: Reforça a nossa militância!

O caso recente da eleição de Zoran Mamdani, em Nova Iorque, é revelador da enorme importância do porta-a-porta: um milhão de portas batidas durante alguns meses e o "impossível" aconteceu!

Sabemos que o porta-a-porta não é tudo no Partido, mas não há partido se não houver porta-a-porta!

Alberto Pestana
Sobre o/a autor(a)

Alberto Pestana

Reformado, natural da ilha da Madeira.
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