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Pondo a escrita em dia

Num exercício de síntese permitam-me recuperar alguns acontecimentos que - sem que disso tivesse dado nota pública -, marcaram ‘The End’ da minha actividade partidária e parlamentar.

Estando de regresso às minhas simples reflexões - no Jornal que, gentilmente, me acolhe, há cerca de 20 anos -, forçoso é fazer algumas contas com a vida que, ao longo dos últimos oito meses, rolou e surpreendeu, sem que eu estivesse aqui, neste exacto lugar, para a questionar ou (re)ler.

Assim, num exercício de síntese (certamente, incompleto e, quiçá, injusto), permitam-me recuperar alguns acontecimentos que - sem que disso tivesse dado nota pública -, marcaram ‘The End’ da minha actividade partidária e parlamentar:

  1. Não quero, nem devo, deixar de registar e (com humildade e gratidão) agradecer, as várias manifestações de simpatia que, das mais diferentes maneiras, chegaram até mim, aquando da minha definitiva saída das lides partidárias, puras e duras. Seria hipócrita se não reconhecesse, aqui e agora, o quanto todas elas, pelas mais diversas razões, me acalentaram, num momento difícil mas inevitável. Sabe muito bem perceber que há adversários/as políticos/as capazes de, sem desistirem de combater as ideias a que se opõem (neste caso, aquelas que, convictamente, defendo), reconhecerem coragem e alguma qualidade à mensageira! Por tudo isso, obrigada!
  2. Pelo caminho, perdi, definitivamente (porque a morte não tem retorno), duas pessoas que muito admiro e prezo. Um, camarada desde a primeira hora, Bruno da Ponte, admirável contador de histórias – verdadeiras, surpreendentes e vividas na primeira pessoa -, exigente e implacável, na demanda da coerência que urge construir, todos os dias. Outro, José Carlos Alves, médico e amigo único, pela sua capacidade de empatia, de compaixão e de serena aceitação das zonas mais lunares da mente humana. Sendo dois seres humanos tão diferentes, tinham, em comum, uma particularidade: cada um, à sua maneira, ousaram desafiar o(s) sistema(s) dominante(s) e deixaram uma pegada, nítida e admirável, da sua passagem pela minha e muitas outras vidas.
  3. Sou uma das cerca de 60 mil pessoas que, actualmente, esperam e desesperam, pela reforma a que têm direito, à luz das leis vigentes! No meu caso, desde o dia 1 de Outubro de 2018 (altura em completei a idade, legalmente, reconhecida, como merecedora de ´sopas e descanso’), apesar de um pedido antecipado, em Agosto do mesmo ano, já contando com atrasos de última hora. Depois de oito meses de absoluto silêncio, quanto à minha solicitação recebi, há poucos dias, da CGA, pedidos de documentos adicionais, os quais, de acordo com entidades oficiais, demorarão mais cerca de 6 meses a chegarem-me às mãos! Escandalosamente, o Estado lembrou-se (ao fim de 240 dias de distracção) que me compete a mim, fazer prova dos anos que trabalhei para ele (onde, como, quanto, quando, de que maneira, sentada, em pé, a tempo inteiro ou parcial!). Mesmo assim, sei bem que sou uma privilegiada, na medida em que, por razões de saúde, recebo uma Baixa Médica. E quem não tem esta possibilidade, vive como?! Mas não é este o governo que afirma “governar para as pessoas”?! Então estes/as 60 mil portugueses/as são o quê?!
  4. Regozijo-me, sem pudor ou falsas modéstias, pelos resultados obtidos pelo Bloco de Esquerda nacional e, sobretudo, regional, nas recentes eleições para o Parlamento Europeu! Estou fora da actividade partidária, sim. Mas continuo dentro da luta, sempre do mesmo lado da barricada!

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Deputada à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, desde outubro de 2008.
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