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Piadas de mau gosto

Quando achávamos que já tínhamos visto tudo do Paulo, que o seu contorcionismo já tinha batido todos os recordes, este nosso Ronaldo da ginástica política consegue sempre surpreender-nos.

Durante esta semana, Ana Drago referiu-se ao Governo como um “grupo de destroços”. Da Ministra das Finanças, que denota ter uma relação atormentada com a verdade, ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, saído do bolorento baú cavaquista, o nível de descredibilidade atingido por cada um dos membros do Executivo leva-nos a pensar que estamos diante de uma brincadeira de muito mau gosto. Mas qualquer que seja o prisma que olhemos, o delírio a que chegámos é sempre ofuscado por uma figura que se destaca: Paulo Portas. Quando achávamos que já tínhamos visto tudo do Paulo, que o seu contorcionismo já tinha batido todos os recordes, este nosso Ronaldo da ginástica política consegue sempre surpreender-nos.

Numa primeira fase, ficámos incrédulos com a “irrevogabilidade flexível” de Portas. Num momento estava a bater com a porta, assegurando não ter condições para continuar. No momento seguinte estava alegremente a aceitar o cargo de vice-primeiro-ministro, esta figura governativa estranha que agora teremos de nos habituar.

Depois, ficámos boquiabertos com o reforço dos lugares do Governo atribuídos ao Paulo e aos seus seguidores. Os ânimos do CDS acalmaram-se assim que se abriram os cordões da bolsa de assentos governamentais. De repente o Governo ficou refém do pequeno parceiro da coligação, naturalmente maravilhado com a dimensão dos recursos a distribuir pelos seus.

Por último, porque a festa não se faz apenas em torno da forma, mas também da substância, a distribuição de pelouros e competências no seio do Governo também não deixa ninguém indiferente. Subitamente temos um vice-primeiro ministro a dominar as pastas económicas. que vão desde os fundos QREN à internacionalização da economia, mas também a reforma do Estado, mexendo assim em competências de ministros que pareciam estar a escapar à sua esfera de influência. Trocam-se tutelas de institutos e direções-gerais como se de cromos se tratassem, brincam-se às casinhas sem sequer se disfarçar.

Neste Verão, parece ter saído a sorte grande ao país. À silly season juntou-se agora um silly government. Ninguém se poderá queixar de falta de animação.

Sobre o/a autor(a)

Politólogo, autor do blogue Ativismo de Sofá
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