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Pensar a Universidade

Em 2014 comemoramos 40 anos da Revolução de Abril, e como comemorar Abril é também comemorar a democracia, não poderíamos comemorar a democracia sem discutir a Universidade.

Hoje, mais do que nunca o debate sobre o Ensino Superior é indispensável. Num momento em que o estado corta cegamente no financiamento das instituições de ensino, em que as propinas continuam a impedir milhares de estudantes de continuar a sua formação, num momento em que a ação social continua a não ser o suficiente para garantir o acesso livre à educação, discutir a universidade é certamente discutir a democracia, mas mais do que isso, é discutir o futuro.

A par de muita gente, também a Universidade se esqueceu de Abril, esqueceu-se com as propinas, com os numerus clausus, com a falta de ação social, e com um investimento perigoso na ideia de que só estuda quem tem capacidade financeira para tal. Deitamos ao lixo o que conquistamos com Abril, e nem a liberdade escapou. Hoje a Universidade não é para todos, e engane-se quem pensa o contrário, a realidade está à nossa frente e todos nós conhecemos estudantes que se veem obrigados a abandonar o ensino superior por incapacidade financeira.

Mas se a realidade mais mediática e até cruel nos assusta, a forma como a Universidade se tem organizado merece também a nossa preocupação e deve ser alvo de uma discussão ampla que nos permita refletir sobre que universidade queremos. Nos últimos anos, a Universidade passou de um polo de formação científica e cívica para um antro da formação profissional, reforçando o modelo de uma simples fábrica de profissionais. E desta forma os estudantes passaram de pensadores da Universidade, que realmente tinham uma intervenção política importante dentro das Instituições de Ensino Superior, para meros utilizadores do serviço de formação que estas instituições prestam. Retirou-se esta intervenção aos estudantes e atribui-se a entidades externas, como empresas privadas, o direito a intervirem em Conselho Geral como membros cooptados. Retirou-se a uns para dar a outros, mas a democracia foi-se de vez.

Daqui a uns tempos quando todos nós nos prepararmos para relembrar e congratular Abril, apenas espero que nos relembremos também da Universidade que queremos, e que entre esse pensamento não falte democracia, liberdade e educação.

Sobre o/a autor(a)

Estudante universitário na UTAD
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