Para onde foram mais de 110 mil milhões de euros?

porJosé Castro

24 de janeiro 2013 - 0:08
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O crescimento da dívida em dezasseis meses de governo PSD/CDS-PP (entre Julho de 2011 e Novembro de 2012) foi de 27.280 milhões de euros, mais de 1,7 mil milhões por mês, 56 milhões de euros/dia ou 2,3 milhões por hora.

Quando um governo obtém um empréstimo é suposto utilizá-lo para amortizar a dívida e para investir no melhoramento da sua capacidade produtiva, para aumentar o bem-estar da população e criar excedentes para cumprir mais facilmente o serviço de dívida. Ora o que está a acontecer não é nada disto: nem diminuiu a dívida, nem há crédito para a economia.

Apesar dos 62.905 milhões de euros já recebidos do PAEF (FMI-UE) e da emissão de mais de 10.000 milhões em obrigações do tesouro (OT) e de quase 40.000 milhões de euros em bilhetes do tesouro (BT), a dívida direta do Estado não diminuiu. É certo que parte da emissão de Bilhetes de Tesouro serviu para “rolar” a dívida (uma espécie de troca da dívida a vencer a muito curto prazo por outra que deverá ser paga um pouco mais tarde). Mas a pergunta tem que fazer-se: Para onde foram mais de 110 mil milhões de euros dos empréstimos e da emissão de títulos nos últimos 18 meses?

A dívida não diminuiu, cresceu imenso:

De acordo com os Boletins Mensais do IGCP a evolução da dívida pública portuguesa foi a seguinte: 101.386 milhões de euros em Dezembro de 2005, 108.202 milhões em 2006, 112.804 milhões em 2007 e 118.462 milhões em 2008.

Nos quatro anos entre 2005 e 2008, a dívida subiu 17.076 milhões de euros, um crescimento anual médio de pouco mais de 4.000 milhões de euros. Em 2009 a dívida pública pulou para 132.747 milhões (mais de 14.000 milhões de euros que em 2008). Em 2010 já foi 151.775 milhões (mais de 19.000 milhões que 2009) e em 2011 cresceu mais de 23.000 milhões, atingindo 174.895 milhões de euros.

Mas com o governo da coligação PSD/CDS-PP há um colossal crescimento da dívida: em Setembro de 2012 já era mais de 14.000 milhões acima da existente em Dezembro de 2011, em Outubro de 2012 atingiu 193.507 milhões de euros (18.612 milhões de euros acima do valor final de 2011) e em Novembro de 2012 tinha subido para 197.209 milhões de euros (mais de 22.000 milhões em menos de um ano, mais de seis vezes o crescimento médio anual entre 2005 e 2008). Dito doutra forma, o crescimento da dívida em dezasseis meses de governo PSD/CDS-PP (entre Julho de 2011 e Novembro de 2012) foi de 27.280 milhões de euros, mais de 1,7 mil milhões por mês, 56 milhões de euros/dia ou 2,3 milhões por hora.

E não há crédito para a economia:

A política do governo PSD/CDS-PP tem sido a de parar o investimento público. Também o sistema financeiro, apesar dos dinheiros públicos injetados (mais de 7 mil milhões de euros), não concede o indispensável crédito às atividades produtivas (o crédito bancário às empresas diminuiu 13 mil milhões desde meados de 2011). Resultado: asfixia-se a produção, força-se a quebra do PIB, aprofunda-se a recessão económica…

PSD e CDS-PP enganaram o país, perderam legitimidade política

O combate à dívida foi a questão central das candidaturas do PSD e do CDS nas últimas eleições legislativas. Mas a narrativa que foi apresentada aos eleitores não correspondia à realidade, escondia o facto das dívidas públicas de Portugal (e dos restantes países da União Europeia) terem tido um enorme crescimento após 2008 e em resultado direto das transferências de dinheiros públicos para “tapar os buracos” do setor financeiro. É este o desastre financeiro, é esta a tragédia social que se está a viver no nosso país

Para onde foi tanto dinheiro, mais de 110 mil milhões de euros recebidos nos últimos 18 meses mais a diminuição de salários e pensões e o aumento de impostos ? O governo PSD/CDS-PP tem que responder!

José Castro
Sobre o/a autor(a)

José Castro

Jurista, pós-graduado em Planeamento Urbano e Regional
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