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Os sábados que mudam o mundo

Os sábados surgiram como dia semanal de contestação, sendo já habitual a agenda desse dia ser uma agenda de reivindicação contra as agressões a que somos constantemente sujeitos no dia-a-dia.

Os tempos mudam, as necessidades crescem e as injustiças sociais fazem-nos repensar a forma como estamos em sociedade. O capitalismo obrigou-nos a reconsiderar tudo isso, fez-nos refletir sobre a necessidade da reivindicação, e mudou a forma como se faz política. Hoje mais do que nunca, o ativismo político tem de ser um contributo de cada um de nós para a construção de uma sociedade mais justa e democrática, porque o destino das nossas vidas não pode estar noutro lugar que não as nossas mãos.

Num momento em que as políticas de austeridade continuam a atingir milhares de pessoas, num momento em que várias formas de discriminação continuam a persistir e a resistir ao progresso, a forma como nos posicionamos perante isso, como nos opomos a todas essas violências sociais económicas e políticas, tem mudado com o tempo. Os dias tonaram-se curtos, as semanas demasiado ocupadas, e os sábados surgiram como dia semanal de contestação, sendo já habitual a agenda desse dia ser uma agenda de reivindicação contra as agressões a que somos constantemente sujeitos no dia-a-dia.

Este fim-de-semana é a prova disso mesmo, mais de 50 cidades europeias, saíram à rua no primeiro dia de fim de semana numa manifestação apoiada no lema “Julgamento para a banca, salvemos o público, as pensões e as pessoas”, enquanto isso em Portugal, os professores do ensino superior e investigadores reúnem-se em Lisboa, após o corte de relações com o governo por parte do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, num protesto contra as políticas dos últimos anos e contra o atual orçamento de estado, que prevê reduções salariais severas e ainda mais reduções no financiamento às universidades, o que em última instância resultará em mais uma passagem do financiamento da universidade pública do Estado para as famílias.

São os estudantes que são forçados a abandonar a universidade, são os professores que veem um ensino cada vez mais elitista, são as pessoas que sentem cada vez mais a sua vida dizimada por políticas cruéis, é a violência de género que não tem fim, e a homofobia que não se elimina, é um futuro que se vai tornando mais difícil para todos, e são os sábados em que nos reunimos para combater tudo isto. Para mudar o mundo não basta um dia mas basta a tua força e muitos sábados de alternativa e proposta política.

Sobre o/a autor(a)

Estudante universitário na UTAD
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