No final de agosto, pelo menos 6 jornalistas foram mortos pelo exército israelita num ataque ao Hospital Nasser na Faixa de Gaza, na Palestina, fazendo subir para pelo menos 246 os profissionais de comunicação palestinianos mortos por Israel desde outubro de 2023. Para o Comité para Proteger Jornalistas, a guerra em Gaza é o conflito mais mortífero para profissionais da imprensa já documentado pela história.
Israel bombardeou primeiro o telhado do Hospital Nasser para minutos depois, quando jornalistas e equipas de primeiros socorros se dirigiram ao local para ajudar as vítimas e documentar o ataque, as forças israelitas bombardearam-no pela segunda vez.
Hossam al-Masri, operador de câmara da Reuters; Mohammed Salama, fotojornalista da Al-Jazeera; Mariam Dagga, jornalista freelancer que trabalhava para a Associated Press e o The Independent Arabic; Ahmed Abu Aziz, freelancer para o Middle East Eye; o fotojornalista Moaz Abu Taha e Hassan Douhan, do jornal palestiniano Al-Hayat Al-Jadida. Este último foi morto a tiro pelo exército israelita depois dos bombardeamentos.
Depois deste ataque, o primeiro-ministro do estado israelita veio descaradamente caracterizar este ataque como um “acidente trágico”.
Já não é novidade que o jornalismo sempre incomodou os mais poderosos, especialmente em tempos de crise. O jornalismo publica aquilo que não se quer que seja publicado, pois aquilo que se quer que seja publicado é apenas publicidade.
Mas também em Portugal, o nosso primeiro-ministro já ofendeu publicamente os jornalistas dizendo que estes não valorizam a sua profissão e apenas fazem as perguntas que lhes dizem ao auricular. Não sabendo talvez as condições de precariedade que os jornalistas enfrentam, sendo esta uma das classes profissionais em Portugal que mais sofre burnouts.
É só graças ao jornalismo que é possível documentar o genocídio a que todo o mundo está a assistir. Por isso é que políticos autoritários lidam tão mal com o jornalismo. Até o embaixador de Israel em Portugal também já veio proferir declarações vergonhosas na televisão nacional, dizendo que não há crianças a morrer à fome em Gaza, que estas apenas morrem porque estão doentes.
Recentemente e sem surpresas, Benjamin Netanyahu afirmou que não há estado palestiniano, que a Palestina é uma terra que lhes pertence, e argumenta que tudo o que for feito contra Israel é antissemita.
Agora, a ONU já declarou aquilo que há muito sabíamos. O que está a acontecer em Gaza é genocídio, onde já se somam mais de 63 mil mortos, 83% dos quais são civis, na sua maioria mulheres e crianças. A Flotilha Humanitária segue atualmente para Gaza para entregar ajuda humanitária e medicamentos aos civis palestinos, tentando romper o cerco ilegal de Israel a Gaza.
Quando a Palestina for livre, saberemos que estivemos sempre do lado certo da História.