Está aqui

Ó’que nós chegámos!

Sábado passado, o Bloco de Esquerda/Açores realizou, em Angra do Heroísmo, um fórum subordinado ao tema “Desigualdades Sociais – Quebrar o Ciclo”. A RTP/Açores primou pela sua ausência.

Não sendo esta – muito pelo contrário! - a primeira vez que o Bloco de Esquerda/Açores faz questão de ouvir e aprender com quem sabe (sobre esta e outras problemáticas que têm especial incidência, na nossa Região), considerámos proveitoso convidar, também, a porta-voz nacional, Catarina Martins, para participar no referido fórum. A sua presença era importante, desde logo, pela oportunidade de aprofundar o seu conhecimento da realidade açoriana, bem como debater, com todos/as, as propostas políticas do Bloco de Esquerda, para dar resposta à emergência social que nos assola.

Os/as Terceirenses responderam, de forma exemplar, ao nosso desafio e a sala encheu-se, facto que, por si só, prova a justeza e atualidade da iniciativa. Durante mais de três horas, tivemos oportunidade de ouvir intervenções de superlativa qualidade, havendo ainda tempo para um animado contraditório. Razões de sobra para agradecer, publicamente, ao economista Nuno Martins, aos sociólogos Renato Carmo, Carlos Farinha Rodrigues e Fernando Diogo, e à representante dos ‘Precários Inflexíveis’, Maria Manuel Rôlo.

Lá diz o povo que ‘tudo está bem, quando acaba bem’, não é? O problema é que, pelo meio, algo correu muito mal…e não tinha que correr, nem deveria ter corrido!

É que nada faria prever a ausência da Rádio e da Televisão públicas a este evento. E quando digo ‘nada’, quero dizer que ‘tudo’ obrigaria à sua presença, sem negar a liberdade editorial que assiste a ambas, mas tendo presentes os critérios de seletividade que, aparentemente, as dirige.

Sempre que algum/a dirigente partidário, de âmbito nacional, se desloca ao Arquipélago, tem tido – e bem! – cobertura mediática, pelo serviço público de rádio e televisão dos Açores. Sempre que um evento junta investigadores da craveira dos atrás mencionados, para se pronunciarem sobre matérias da sua especialidade, tem tido – e bem! – cobertura mediática, pelo serviço público de rádio e televisão dos Açores. Sempre que um partido político/Açores convoca a comunicação social para uma iniciativa que considera importante dar a conhecer aos/às Açorianos/as, tem tido – e bem! – cobertura mediática, pelo serviço público de rádio e televisão dos Açores.

Então, porque é que desta vez, nenhum destes critérios foi levado em consideração e a RTP/Açores primou pela sua ausência, não tendo sequer aventado a hipótese (como frequentemente faz) de se deslocar ao local do evento, em hora a combinar e que melhor pudesse conciliar os seus diferentes compromissos?

A resposta a esta pergunta é, absolutamente, surreal: de acordo com a própria RTP/Açores, porque todos os seus meios – assim como os das empresas privadas de produção audiovisual a quem, habitualmente, recorre para dar resposta à cobertura de eventos de atualidade para o Telejornal – estiveram mobilizados para a transmissão, em direto, da final do campeonato nacional de ténis de mesa!

Ora, quando uma transmissão de um jogo de ténis esgota os meios (técnicos e humanos) disponíveis, no segundo maior centro de produção da RTP/Açores, durante um dia inteiro, isto só pode significar que há uma situação insustentável de falta de meios, a que nenhum governo (nacional ou regional) conseguiu, ainda, dar resposta. O Bloco de Esquerda/Açores tem chamado, reiteradamente, a atenção para este problema e fá-lo, aqui e agora, mais uma vez, perguntando:

- quantos eventos e iniciativas, com importância política, cultural, social e económica ficarão fora do conhecimento dos/as Açorianos/as, por falta de meios, nas delegações da Terceira e Faial, e ainda pela falta de correspondentes, em várias das nossas ilhas?

Ou foi só por ter sido uma iniciativa do Bloco de Esquerda/Açores?!

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Deputada à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, entre 2008 e 2018.
(...)