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O festim das privatizações: seguem-se Metro e Carris

A concessão de exploração da Carris e Metro de Lisboa foi a forma encontrada pelo Governo para entregar a privados estas duas empresas, garantindo-lhes os lucros operacionais e ficando o Estado com o passivo. A receita clássica liberal. Privatizar os lucros, nacionalizar os prejuízos.

 

A lista já vai longa, mas o Governo promete liquidação total. Nos próximos meses tudo o que vale a pena vender será vendido. Passos Coelho e Paulo Portas são insaciáveis e é preciso alimentar o défice insustentável e a dívida impagável.

A EDP e a REN já estão na mão de empresas cujos administradores têm também lugar cativo no comité central do PC Chinês. Os CTT têm agora como maior acionista o Goldman Sachs, um dos carniceiros do colapso “subprime” e acusado de ajudar o governo da Nova Democracia da Grécia a ocultar o défice do país antes de rebentar a atual crise. A Caixa Seguros foi vendida ao fundo chinês Fosun, de quem a insuspeita Ferreira Leite disse “não ter experiência em seguros e ter uma classificação rating de “lixo””. A ANA foi vendida a Vinci, com o negócio dos terrenos do aeroporto de Lisboa a renderem um cheque de 286 milhões de euros a Câmara Municipal de Lisboa (CML).

Mas para terminar o assalto ao pote, estão já preparadas as vendas da TAP, da CP Carga, da EGF do Grupo Águas de Portugal e as empresas de transportes de Lisboa e Porto.

A concessão de exploração da Carris e Metro de Lisboa foi a forma encontrada pelo Governo para entregar a privados estas duas empresas, garantindo-lhes os lucros operacionais e ficando o Estado com o passivo, maioritariamente resultado de operações financeiras ruinosas que tornaram estas empresas reféns dos bancos. A receita clássica liberal. Privatizar os lucros, nacionalizar os prejuízos.

O Governo inclui nesta operação a venda da Carristur, empresa detida a 100% pela Carris, que tem uma frota nova de veículos turísticos, o aerobus, o serviço mobcarsharing (partilha automóveis) e ainda uma escola de formação de motoristas única no país, sendo por isso um monopólio. Esta empresa pública tem lucros desde há 12 anos e um cash flowoperacional em 2012 de 2,39 milhões de euros.

Passos Coelho já calendarizou esta operação e prevê o lançamento das concessões até ao final de Março e pretende fechar o negócio até ao final de 2014. É agora o momento em que este serviço público tem de ser intransigentemente defendido. Por isso o Bloco apresentou na Assembleia Municipal de Lisboa uma recomendação à CML para que se opusesse à concessão/privatização da Carris e Metro de Lisboa e que avançasse pela defesa de uma parceria pública-pública entre a CML e Estado. Na votação o PS e o executivo de António Costa revelaram com toda a clareza a sua posição sobre a privatização deste serviço público. Votaram contra. Neste momento exigia-se a António Costa uma defesa do serviço público de transportes, um dos pilares fundamentais numa cidade para garantir acesso universal e democrático à mobilidade. Pelo contrário, o PS esconde-se atrás de uma cortina de fumo sobre a legitimidade do Governo para fazer este negócio e a indemnização devida ao município pela titularidade destas empresas. O PS opõe-se até ao limite do cheque compensatório. Nesta corrida contra o tempo para vender o que resta do país, António Costa aceita assim o convite para se sentar à mesa no banquete das privatizações.

Sobre o/a autor(a)

Engenheiro civil.
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