Está aqui

Novas Franjas na Esquerda

Novas franjas de inconformismo e de sede de mudança estão a surgir onde menos se espera. Compete à esquerda agarrar estas oportunidades de crescimento.

Como é sabido, por mais paradoxal que possa parecer, os acontecimentos actuais não estão a originar viragens políticas à esquerda. E o inverso também não está bem a suceder. São sim momentos onde a insatisfação e a apreensão generalizada na população acabam por ser propícios aos típicos desejos de despolitização. Ou seja, grande parte da população está reticente em encontrar nas alternativas políticas existentes a solução para os problemas do país.

A boa notícia é que estes momentos são propícios ao surgimento de novos movimentos políticos. Com ideários à primeira vista difusos, acabam por contribuir decisivamente para chocalhar e posteriormente renovar as dinâmicas políticas existentes. Neste sentido, na esfera de influência da esquerda política, têm sido tempos férteis em novidades. Dos Indignados ao Occupy Wall Street, uma nova geração de movimentos têm vindo a assumir um protagonismo mais do que interessante. De forma mais ou menos estruturada, e com argumentários mais ou menos inovadores, estão a conseguir trazer novos sectores para a contestação social, ao mesmo tempo que estão a possibilitar novas pontes entre os movimentos e correntes políticas já existentes.

E a este panorama devem também adicionar-se movimentações em franjas à partida não tão usuais. Veja-se o caso do movimento anonymousque, um pouco por todo o mundo, mobilizado em torno de ideais anti-corrupção, pugna pela transparência e apela mesmo à desobediência civil através da pirataria informática. Veja-se aliás a este propósito a curiosa emergência de movimentos e até partidos pirata em diversos cantos da Europa. Assentes em ideias como o software livre, os standards abertos e o acesso aberto à informação pública e ao conhecimento, o hacktivismé com certeza um fenómeno que veio para ficar. E muitos outros exemplos de movimentos políticos emergentes podiam ser aqui identificados

Estes não são tempos fáceis para a esquerda, é certo. Mas é sabido que os tempos difíceis são também tempos de renovação, de realinhamento e de consolidação. As dinâmicas sociais estão a demonstrar bem que a política encontra os seus caminhos apesar de todos constragimentos no sentido da despolitização.Novas franjas de inconformismo e de sede de mudança estão a surgir onde menos se espera. Compete à esquerda agarrar estas oportunidades de crescimento.

Sobre o/a autor(a)

Politólogo, autor do blogue Ativismo de Sofá
(...)