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A necessidade é de um sindicalismo de inteligência coletiva!

No próximo dia 22 de Março vamos para a Greve Geral! Os motivos mais que justificam o protesto, a indignação na luta contra o retrocesso civilizacional a que nos estão a impor é necessária e urgente.

Esta greve convocada pela central sindical CGTP foi decidida nas mais altas esferas da central e de forma descendente dada a conhecer à posteriori aos que quotidianamente vivem os problemas dos trabalhadores nos locais de trabalho.

Esta é uma decisão que necessita de uma análise coletiva por parte dos trabalhadores nos locais de trabalho, não colocando em causa os motivos para a realizar, estes têm um papel fundamental nos locais de trabalho para o sucesso de qualquer protesto.

Os trabalhadores do parque industrial Autoeuropa sabem que estas alterações na legislação laboral também os tem afetado e continuarão a afetar, têm lutado por ultrapassar algumas, mas querem ter uma palavra a dizer quando são chamados!

Estes trabalhadores sabem que os problemas dos trabalhadores em Portugal não são diferentes dos de outros trabalhadores noutros países e estão atentos, sabem que para Portugal a receita é a mesma, o que muda são os ingredientes, dado que mantemos os nossos brandos costumes.

Hoje em dia dada a necessidade das empresas do parque industrial da Autoeuropa trabalharem para outros países, os trabalhadores estão mais expostos aos problemas da globalização e à necessidade de falarem entre si. Deste modo em empresas como as que se situam no parque industrial da Autoeuropa, nas quais a sua maioria são multinacionais, alguns trabalhadores falam com colegas de outras nacionalidades sobre estes assuntos, seja através de representantes dos trabalhadores nos Comités de Empresa, ou pela necessidade da sua atividade profissional, por vezes algumas conversas ficam marcadas pela situação laboral e social dos seus países que também vivem o problema da austeridade.

Os trabalhadores sabem que o exemplo do que se passa na Grécia é sem dúvida a mais clara tentativa do capitalismo fazer um ajuste de contas com o passado e estão expectantes!

Os portugueses estão a ser levados para o mesmo abismo do povo grego, embora de forma mais gradual e sem recurso a violência física mas com recurso a uma extrema violência psicológica. O tempo confirmará que estas medidas são paliativas e só agravam a nossa sociedade!

Mas sabemos que os tempos são outros e a globalização obriga a que nos empenhemos internacionalmente para protestar. Não nos podemos deixar vencer pelo medo ou pela inevitabilidade, que nada podemos fazer, porque alguns fazedores de opinião assim o dizem nos órgãos de comunicação social, argumentando que estamos no bom caminho. Que o digam os cerca de 15% de desempregados, ou os que cerca de 35% de jovens que não conseguem arranjar emprego como são esses caminhos!

As medidas que nos têm conduzido até aqui têm levado a que estejamos mais pobres, com menor capacidade de poder de compra, temos mais desempregados, mais trabalhadores precários, um pior sistema de saúde, de educação, menos direitos no trabalho, mas temos gestores cada vez mais bem pagos, seja com capitais chineses, ou não, somos nós povo português que pagamos essas mordomias!

O dia 22 de Março é a data marcada, podia ser outra mas é para esta que temos de nos mobilizar. Sabemos que apenas sete dias depois, a 29 de Março, se realizará uma greve geral em Espanha onde os problemas são os mesmos, coletivamente seria muito mais interessante e inteligente que sindicatos portugueses e espanhóis se organizassem para uma Greve Geral Ibérica.

Dia 22 de Março estaremos na Greve Geral na expectativa que o "investimento" tenha retorno!

Sobre o/a autor(a)

Coordenador da CT da Faurecia, Parque Industrial Autoeuropa, Dirigente sindical do SITE Sul (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul)
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