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Monte dos Burgos, 116 - Igualdade, Justiça e Solidariedade Social

O Lar Monte dos Burgos é a nível nacional a única Estrutura Residencial para Idosos pública e dispõe de Apoio Domiciliário durante os sete dias da semana.

A história do Lar Monte dos Burgos remonta remota ao ano de 1934 quando aparece na cidade do Porto a Casa dos Pobres, ainda muito presente na memória dos mais velhos e cuja inscrição ainda hoje pudemos observar no muro junto às antigas instalações da PSP. Passados 6 anos, em 1940, as instalações ficam sobre a alçada da PSP e passam a ter a designação de Albergue da Mendicidade do Porto. Com o derrube do Estado Novo, o Albergue, passa em 1978, a ter um novo modelo de intervenção na cidade do Porto e adopta, até aos dias de hoje, o nome da sua rua: Lar Monte dos Burgos. Em 1982, este Lar integra o Centro Regional da Segurança Social do Porto e em 2000, na altura em que Eduardo Ferro Rodrigues foi Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, apesar de continuar como estabelecimento da Segurança Social, a gestão foi entregue ao Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Segurança Social do Porto (CCD).

O Lar Monte dos Burgos é a nível nacional a única Estrutura Residencial para Idosos pública e dispõe de Apoio Domiciliário durante os sete dias da semana. Além dos serviços habitualmente prestados em outras ERPI’s (de apoio directo, enfermagem, medicina, apoio social, apoio psicológico e psiquiátrico, podologia, etc.) os seus residentes dispõem de serviço de bar, cabeleireiro/estética, salão de jogos e espaço religioso. Além destes espaços, existe um conjunto de edificado que está actualmente subaproveitado, que poderia ser a solução para as mais variadas respostas sociais públicas, de que tanto o Porto carece.

Na própria Segurança Social, o Lar Monte dos Burgos é reconhecido pela qualidade do trabalho da sua Equipa Técnica e por não recusar os casos mais complicados, que outras Instituições não aceitam. De extrema relevância, convém sublinhar o conceito de igualdade e justiça social subjacente às condições de admissão dos residentes, pois, ao contrário de tantas IPSS’s, Misericórdias e Instituições Privadas, o pagamento da mensalidade do Lar está unicamente condicionada pelas condições de recursos económicos da pessoa alvo desta resposta social; respeita em exclusivo a fórmula emitida pelas orientações técnicas da Segurança Social.

É urgente um investimento financeiro público por parte da proprietária Segurança Social para que ocorra a necessária requalificação do Lar Monte dos Burgos, de forma a modernizar e aumentar a capacidade para 120 residentes, limite máximo permitido pela legislação actual, da já existente ERPI, e para que possam igualmente surgir neste espaço outras respostas sociais de extrema importância e escassez na zona norte. A título de exemplo, é de conhecimento público a sobrelotação das camas dos hospitais existentes no grande Porto que estão ocupadas por pessoas que, apesar de terem tido alta médica, carecem de retaguarda familiar e/ou social e que por esse motivo não têm alta social dos mesmos. Se existir por parte da Ministra Ana Mendes Godinho vontade política para investir no serviço público, o Lar Monte dos Burgos poderá ser no futuro a resposta adequada a estas e outras situações.

A privilegiada localização geográfica do Lar Monte dos Burgos, perto da zona do Carvalhido, com transportes à porta, comércio e serviços variados, é uma mais-valia para os seus residentes, pois aqueles que apresentam condições físicas e mentais para isso, podem facilmente se deslocar nas suas imediações ou na cidade do Porto. No entanto, este facto torna o Lar Monte dos Burgos igualmente apetecível para os grandes interesses imobiliários que actualmente dominam esta cidade. Não podemos permitir que o destino do Lar das Fontainhas se repita. É necessário actuar preventivamente e lutarmos para evitar que a ganância se sobreponha à última linha de defesa pública de quem tem mais idade, está numa situação de fragilidade a nível social e/ou de saúde, e tem poucos recursos económicos. Numa altura em que é de conhecimento público e político a carência de resposta públicas diversificadas, este é o espaço que se quer aproveitado e a porta que se quer manter aberta.

Sobre o/a autor(a)

Membro da Concelhia de Gondomar do Bloco de Esquerda, ativista laboral. Funcionária no Lar Monte dos Burgos. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990
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