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Mitrena, mais atenta. População já está mais segura?

Desconhecer o perigo e como enfrentá-lo provoca uma situação alarmante, levando facilmente ao pânico.

Após o Marco de Sendai, que define como objectivo até 2030, a redução substancial dos riscos de desastres e perdas de vidas, de meios de subsistência e activos económicos, sociais, culturais e ambientais, das pessoas, empresas, comunidades e países (decisão resultante da III Conferência Mundial das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastre), estudos mundiais apontam a prevenção e a autoproteção, como ferramentas indispensáveis ao cumprimento desses objectivos.

Cabe, portanto, aos países, legislar este importante compromisso, mas acima de tudo exercer efectivo controlo fiscalizador que evite desatenções, incomprimentos ou fugas à lei.

Para os cidadãos e suas comunidades, fica a responsabilidade da autoproteção, cabendo a prevenção aos agentes da Proteção Civil.

Ainda para mais numa região onde acidentes com indústrias consideradas perigosas (Indústrias Seveso), foi uma realidade repetida nos últimos tempos.

Trazer a Setúbal a Conferência Internacional Riscos, Segurança e Cidadania, foi sem dúvida um passo importante na abordagem aos temas em discução, foram apresentados importantes pontos de vista na forma como se poderá controlar ou mesmo evitar o Risco. Cuja avaliação terá sempre que surgir no pior cenário, para que todas as possibilidades de desastre estejam previstas.

Falta agora, a capacidade em mobilizar a comunidade a “pensar em si”, que direitos têm a defender, que deveres têm a cumprir.

A maior parte da população setubalense desconhece esta matéria e sem isso, por muito minucioso que seja o Plano de Prevenção, nunca será possivel concretizar uma autoproteção efeciente.

Desconhecer o perigo e como enfrentá-lo provoca uma situação alarmante, levando facilmente ao pânico.

Durante uma das ocorrências graves, os serviços de Proteção Civil, declararam o encerramento das escolas, na protecção da franja mais vulnerável da população, as crianças. Contudo pais e familiares, não acataram essa informação contrariando todo o sentido da autoproteção, passeando alegremente pelos jardins da Cidade, com o seu ente querido, expondo-se ao verdadeiro risco. Muitos dos cidadãos mais sensíveis, sentiram fortes irritações oftalmológicas.

Um órgão informal constituído pelo Serviço Municipal de Proteção Civil e Bombeiros de Setúbal e representantes de empresas instaladas na Mitrena, reuniu em análise e reconheceu que empresas vizinhas poderão ser afetadas. Várias propostas de melhoria surgiram no horizonte, muitas das quais vêm de encontro à pretensão do Bloco de Esquerda, de incluir os Cidadãos nesta discussão conforme recomendação apresentada a 28 de fevereiro passado, na Assembleia Municipal, para a criação de uma Comissão de Acompanhamento Ambiental que envolvesse cidadãos representantes da população, a qual viria a ser aprovada por todas as forças políticas, ficando agora a Comissão Ambiental Municipal de dar seguimento.

Por isso fica a dúvida: Mitrena mais atenta. E a população? Fica mais segura?

Sobre o/a autor(a)

Dirigente associativo, autarca e dirigente do Bloco de Esquerda em Setúbal
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