Está aqui

Menos Metro aumenta a distância

A linha azul do Metropolitano de Lisboa passou a ter, temporariamente, nas horas de ponta, percursos alternados entre a Pontinha e a Reboleira, reduzindo assim a oferta do serviço à população da Amadora.

O Metropolitano de Lisboa tomou esta decisão no âmbito da “recuperação progressiva dos níveis de eficiência e da qualidade” do serviço, face ao plano em curso de recuperação da manutenção da frota.

Parece que um ano depois da sua inauguração este troço da linha do metropolitano deixou de ser o marco importante para a história do Metropolitano de Lisboa e perdeu o impacto significativo no mapa de acessibilidades do concelho da Amadora. Um empreendimento, cujo traçado sempre mereceu reservas do Bloco de Esquerda da Amadora pois, com esta opção, a parte norte da cidade ficou prejudicada, uma vez que não beneficia da proximidade da linha da CP, que foi apresentado, então, como estratégico para o desenvolvimento económico da região da Grande Lisboa e bem como determinante na qualidade de vida das populações que serve, passou a ser alvo de um "ajuste da oferta à procura, numa lógica de otimização dos recursos e frota disponíveis", segundo a administração da empresa.

Este projeto teve um investimento de cerca de 60 milhões de euros, mais os 600 mil euros que a autarquia da Amadora investiu na requalificação da zona, e que estimava uma utilização de cerca de 7 milhões de passageiros ao ano, dados da Metropolitano de Lisboa.

Com esta decisão todos os passageiros com destino às estações da Amadora verão reduzida a oferta do serviço às horas de ponta, período mais sensível na utilização deste meio de transporte. A Metropolitano de Lisboa ignora assim o contrato para a prestação do serviço desrespeitando os seus passageiros, que apesar desta alteração continuarão a pagar o mesmo valor pelos seus títulos de transporte, descriminando-os face à resposta dada nos outros concelhos limítrofes, ao reduzir a regularidade e a qualidade do serviço, e potenciando a criação de novos problemas aos e às trabalhadoras da empresa. Atrasos, supressões, e horários de trabalho irregulares são o que resulta desta "experiência", que ao ser posta em prática ignorou sugestões como o ingresso de mais maquinistas, o recurso sustentado ao trabalho suplementar, bem como alterações na planificação de férias do pessoal, uma vez que a vida da cidade se alterou, sobretudo no Verão, exercendo forte pressão na utilização deste meio de transporte.

Este não é o serviço público que se pretende! E para que a memória não nos falhe, não é o serviço público que é mau, são as más administrações que o tornam mau.

Aproximar populações e promover a mobilidade nos transportes públicos é o que se pretende e é o que defenderemos.

Agora, a Reboleira passa a estar a meio metro de Lisboa!

Sobre o/a autor(a)

Candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal da Amadora e deputada municipal. Professora aposentada. Dirigente sindical.
(...)