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Juntar Forças

Há momentos assim, em que a história nos convoca e aos quais não podemos passar ao lado.

Vivemos momentos desses por estes dias, onde as escolhas ganham mais força e em que a nossa voz fará toda a diferença. Nos próximos dias dois momentos marcarão a agenda nacional: a Cimeira da NATO e a Greve Geral. Em ambos esses momentos somos chamados a levantar a nossa voz.

A cimeira da NATO é anunciada como uma das mais importantes da sua história. Aqueles que fizeram a guerra, tentam agora lavar a face que a guerra manchou. A nova face tentará ser legitimada com a aprovação de um novo conceito estratégico, procurando mostrar a NATO como a polícia “boa” do mundo. A verdade é bem mais negra e o que verdadeiramente significa esse novo conceito estratégico é a legalização da Guerra Infinita, ilibando a NATO para fazer a guerra em todo o mundo, a mando dos interesses imperialistas.

Na manifestação à margem da Cimeira da NATO gritaremos juntos: “Portugal Fora da NATO, a NATO Fora de Portugal”. É um grito pela Paz e pela Cidadania. Mas é, também, um grito pela Solidariedade e pelo Respeito pelos Povos. Na data em que a nova NATO será apresentada, mais feroz e mais global, juntaremos as nossas vozes e responderemos à chamada na luta pela Liberdade.

Os dias são de demonstração da nossa indignação. Indignação pelas políticas belicistas, mas, também, pela política da crise, pela política que desiste dos portugueses. E, por isso mesmo, temos na Greve Geral o marco principal na luta contra as políticas que nos trazem cada vez mais crise e cada vez menos futuro.

O futuro bateu-nos à porta por estes dias: já começam a ficar claros os efeitos das medidas de austeridade que Governo e PSD decidiram em Junho passado. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) são claros: depois da aplicação das medidas de austeridade, o desemprego atingiu valores nunca vistos, sendo destruídos mais 54 mil postos de trabalho no terceiro trimestre deste ano. A política de José Sócrates, apadrinhada por Passos Coelho, é errada e o resultado é mais desemprego e mais desigualdade. O Orçamento de Estado que estará em discussão na especialidade na próxima semana é a reincidência no erro, criando um futuro ainda mais negro.

A Greve Geral é o momento em que juntaremos vozes dizendo que outro futuro é possível. Não nos resignamos ao fado que PS e PSD teimam em trazer para o país. É o momento para o grito da indignação perante o desemprego, as medidas de austeridade, o aumento do custo de vida, as desigualdades do país. É o momento em que somos chamados à responsabilidade de assumir a disputa por um futuro melhor. É o dia que a história dirá que Portugal parou, para que o país pudesse andar em frente.

Sobre o/a autor(a)

Deputado, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, matemático.
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