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Indignação, sim, e de corpo inteiro!

Na quinta-feira passada o país estremeceu. Caíram, como uma bomba de estilhaços, as principais medidas do Orçamento de Estado para 2012.

Há poucos meses atrás, após a assinatura do Memorando com a Troika (negociado pelo PS), o país viveu uma campanha eleitoral onde PSD e CDS garantiram que os sacrifícios eram necessários, mas suficientes para vencer a crise. As vozes que se levantaram dizendo que o acordo com a troika só traria mais dificuldades e que a espiral da recessão só traria mais austeridade foram “encurraladas” e acusadas. Passaram apenas 4 meses e austeridade soma mais austeridade e não se vislumbra uma saída da crise, caso se persista nas mesmas soluções. Quando foi anunciado o corte no subsídio de Natal deste ano, muita gente disse que entendia, que era preciso e que se aguentava. Ainda esse corte não foi efectuado e já sabemos que serão cortados os dois subsídios (Natal e férias) até 2013 aos trabalhadores e trabalhadoras da administração pública. Buracos atrás de buracos orçamentais são a única justificação que Passos Coelho dá aos portugueses e portuguesas. Aumenta-se o horário de trabalho, satisfazendo assim uma reivindicação do patronato, depois de já lhes ter sido dado aquilo que tanto almejam – facilitar os despedimentos e reduzir as indemnizações devidas aos trabalhadores e trabalhadoras.

Não há nenhuma reivindicação dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas, dos desempregados e desempregadas, dos precários e precárias que seja atendida pelo Governo. Nem uma para amostra. Nem sequer o anunciado “descongelamento” das pensões mínimas poderá ocultar esta realidade. O descongelamento não é mais que uns insignificantes euros num rendimento de pura miséria. Os aumentos que abrangem todos os serviços são colossais. O empobrecimento crescente será o nosso futuro próximo.

Mas esta semana, este povo reagiu. Levantaram-se vozes indignadas. O Bispo Januário Torgal Ferreira fez ouvir a sua voz com uma clarividência absoluta. As centrais sindicais vão reunir e ganha força a realização de uma Greve Geral.

Ontem milhares e milhares saíram à rua em todo o Mundo e também em Portugal. Soltou-se a voz do povo que exige justiça social e mudança de rumo, quebram-se amarras e receios: temos que lutar, todos e todas, todas as lutas têm que convergir para uma só.

Frente à indignação de um povo, a inevitabilidade da austeridade não vale nada.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Vereadora da Câmara de Torres Novas. Animadora social.
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