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A história de uma passadeira

Encontrar a resposta adequada ao problema, planear a sua execução e já agora algum brio no que se faz deveria ser a marca da gestão autárquica, mas, infelizmente, não é.

Era uma vez uma estrada que passava por cima de uma ribeira. Um espaço apertado. Mas acontece que por essa estrada passavam muitos veículos, carros ligeiros e muitos pesados. É um ponto muito importante na rede viária, conflui ali tráfego para o concelho vizinho, para uma zona industrial, para zonas comerciais, tudo em ligação com o acesso a uma das mais importantes autoestradas do país, a A23.

Mas por ali também passam pessoas. Aliás existe mesmo um bairro, de seu nome Nicho de Riachos. E as pessoas, os peões, lá iam passando, pelo espaço apertado, aproveitando as abertas entre os camiões que ocupam praticamente toda a faixa de rodagem.

Depressa se chegou à conclusão de que existia um problema de segurança, onde, mais uma vez os peões eram preteridos para segundo plano.

O assunto foi colocado na agenda política e a Assembleia Municipal de Torres Novas aprovou, por unanimidade, ainda no anterior mandato, uma Recomendação para que se encontrasse uma solução, mesmo que provisória, para garantir a segurança dos peões na travessia daquela via. Sim, uma solução provisória, porque o arranjo da estrada, que faz parte de vários programas governamentais, tarda em sair do papel e a segurança das pessoas não pode esperar. Acabou o mandato, houve eleições e tudo continuava na mesma. Mas o partido que tinha proposto a recomendação não desistiu e voltou com o assunto à Assembleia Municipal e nova recomendação foi aprovada, mais uma vez por unanimidade.

Passados 16 meses da primeira recomendação foi colocada uma ponte pedonal sobre a dita ribeira – de seu nome Ribeira da Boa Água (hoje bem conhecida), facilitando a passagem dos peões que já não têm que arriscar a passagem na “aberta” que os camiões permitam. Afinal nem era muito complicado, pois como foi assumido pelo Presidente da Câmara o material da dita ponte pedonal existia nos armazéns da Câmara e a despesa não foi muita.

Mas quem atravessasse a ponte, agora em segurança, depressa verificou que continuava a ter que arriscar a travessia no meio dos carros quando tinha que passar para o outro lado da via, onde se situa um centro comercial. Faltava ali alguma coisa… Uma simples passadeira! Faltava a passadeira, aquela coisa pintada no chão que dá prioridade aos peões.

A ponte foi colocada a 4 de Agosto de 2014 e a passadeira foi marcada no chão a 13 de Janeiro de 2017! E não foi por falta de lembretes.

Ou seja, durante 29 meses – 2 anos e 5 meses – a obra esteve pela metade, pondo em causa o seu objetivo – a segurança dos peões.

A passadeira já lá está, mas o caminho entre a ponte e a passadeira não foi arranjado e, atente-se, no meio da dita passadeira está um poste de eletricidade.

Pormenores, dirão alguns, mais passadeira menos passadeira, mais mês menos mês, mais ano menos ano… ou então talvez seja um bom exemplo de como se planeiam e se executam as obras, das mais simples às mais complicadas. Encontrar a resposta adequada ao problema, planear a sua execução e já agora algum brio no que se faz deveria ser a marca da gestão autárquica, mas, infelizmente, não é.

Eu sei que é só uma passadeira, mas a sua história diz muito.

Artigo publicado em mediotejo.net

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Vereadora da Câmara de Torres Novas. Animadora social.
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