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Habitação ou a diferença entre esquerda e direita

Se repararmos no discurso dos dois partidos de direita em Portugal (PSD e CDS), todos rejeitam a ideia da habitação como bem social necessário e por isso que foge às lógicas mercantilistas.

Fomos adormecendo na história que “esquerda” e “direita” não faziam já qualquer sentido. O discurso do “fim da história” e a imposição do modus operandi do capitalismo financeiro do século XXI, fazendo a antiga social-democracia desaparecer e as leis do mercado a regerem mais a nossa vida. Foi com este discurso que por toda a Europa o estado social foi sendo entregue aos privados, foi com este discurso que os antigos direitos (paz, pão, habitação, saúde e educação) foram mercantilizados e usados para obter lucro ao invés de servir as pessoas.

É aqui, neste ponto, que em Portugal se volta a falar dos antigos direitos. É aqui que o debate sobre habitação é, para mim, a maior diferença entre a esquerda e a direita.

Se repararmos no discurso dos dois partidos de direita em Portugal (PSD e CDS), todos rejeitam a ideia da habitação como bem social necessário e por isso que foge às lógicas mercantilistas. Ambos se insurgem contra a reversão da lei das rendas por ser esta o garante do retorno duma parcela importante do estado social que está a sistematicamente a ser esquecida. O próprio PS escorrega quando se fala abertamente no congelamento das rendas para que toda a gente tenha acesso a uma casa independentemente do dinheiro que tenha. O princípio ( antes unânime) de que os direitos fundamentais de que Sérgio Godinho nos falava não se pagam e devem ser providos pelo estado.

É este o debate do nosso tempo, é este o debate entre esquerda e direita.

Sobre o/a autor(a)

Estudante. Atvista do Bloco de Esquerda
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