A Greve Geral não é sectorial, é de toda a classe trabalhadora, é de todos nós!

porSantiago Carrilho

17 de maio 2026 - 14:32
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A precariedade, para uma grande parte da população em Portugal, começa na escola. É urgente derrotar o pacote laboral apresentado pelo PSD/CDS e apoiado por outros partidos da direita. Este pacote dos patrões só quer manter a precariedade.

A maioria das escolas do nosso país tem condições precárias, e o governo insiste que os estudantes se habituem a esta precariedade. A precariedade começa nas condições degradadas a que somos submetidos diariamente assim que ingressamos na escola pública. Desde cedo que nos conformamos com a precariedade que nos é garantida na escola não só devido às suas condições materiais, mas também pela incerteza da democracia nas escolas, passando pela injustiça dos exames nacionais.

Todos estes fatores são impostos por este sistema que nos habitua à precariedade estudantil. Tal torna-se num hábito vicioso que não podemos tolerar. O sistema procura normalizar e sobrevalorizar o «estudante desenrascado» que procura sobreviver num sistema que já demonstrou que não funciona. Como estudantes e agentes de profunda mudança temos de agir e exigir uma mudança: a mudança do sistema educacional português, colocando um ponto final no neoliberalismo exacerbado que vivemos todos os dias. Nunca podemos separar estes dois fatores da nossa precariedade, um age de forma a valorizar e exaltar o outro.

A Greve Geral, anunciada pela CGTP, para o dia 3 de junho é um dos eixos de luta no qual todos os estudantes devem participar. É preciso assegurar que a precariedade que vivemos na escola não se aprofunde mais com o pacote laboral que o governo quer impor ao país. A luta dos trabalhadores e dos estudantes é a mesma. Aderir à greve geral é garantir a luta contra a continuidade da precariedade a que somos submetidos, é garantir que nos mantemos na luta contra o pacote laboral do PSD/CDS, que só irá aumentar a degradação do nosso futuro. Por isso, no dia 3 de junho os estudantes juntam-se à Greve Geral!

É urgente derrotar o pacote laboral apresentado pelo PSD/CDS e apoiado por outros partidos da direita. Este pacote dos patrões só quer manter a precariedade que os estudantes já assistem dentro das suas escolas, e aumentar a precariedade que assistem em casa. É preciso também a unidade da classe trabalhadora contra o capital, só assim impediremos que a realidade dos trabalhadores, que já é precária, se torne ainda mais precária. Por estes e tantos outros motivos, nós, os estudantes, faremos greve e mostraremos que não iremos desistir até que a precariedade não seja uma certeza.

Os estudantes serão os trabalhadores de amanhã e, por isso mesmo, as escolas e faculdades irão parar. Este fecho das instituições educacionais irá demonstrar que a Greve Geral não é setorial, mas de toda a classe trabalhadora, os estudantes irão sair à rua juntamente com toda a classe trabalhadora, os professores, os operários, os funcionários públicos e privados e com os sindicatos. Esta mega mobilização irá combater este sistema, tal como já vimos no passado. Juntos iremos mostrar que a resistência coletiva é a nossa maior força contra o capital!

O sistema procura separar os estudantes e os trabalhadores. Mas enganam-se, pois os estudantes são filhos e parte pertencente à classe trabalhadora. A classe trabalhadora não pode aceitar a continuidade da precariedade laboral nem da precariedade estudantil, que culminará na precarização da sua vida. Este sistema neoliberal usa a precariedade estudantil como arma e sabe também como a gerir.  Querem que os estudantes tirem cursos precários habituando-os e treinando-os a viverem na pobreza. Procuram tratar os estudantes como futura mão de obra precária, mantendo-os na penúria, para que num futuro aceitem um contrato precário para sobreviver neste sistema selvagem sem qualquer hesitação. Afinal, a precariedade já é o normal para os estudantes assim que entram na escola.

Juntamo-nos à Greve Geral porque não aguentamos estudar em escolas com condições tão precárias. São mais de 400 escolas com salas sem condições térmicas, autênticos fornos no verão e congeladores no inverno. Juntamo-nos à Greve Geral porque somos contra os injustos exames nacionais, que representam o pináculo do sistema neoliberal, que promovem o espírito individualista de cada um por si. Juntamo-nos porque somos contra a falta de democracia dentro das nossas próprias escolas e não aceitaremos nem toleraremos sermos desrespeitados e desorganizados por direções autoritárias. Juntamo-nos porque não esquecemos também os mais de 158 mil alunos que estão neste momento sem professores. As instituições educacionais, enquanto serviço público, deveriam contribuir para a igualdade de oportunidades e inclusão de todos os estudantes, independentemente do contexto de cada um. No entanto, observamos, que mesmo com o esforço dos professores e trabalhadores das nossas escolas, a desigualdade continua. O problema não está nos trabalhadores das escolas, está num sistema educativo que é insuficiente. A educação tem de ser uma verdadeira fonte de aprendizagens e formação e não mais um poço de precariedade e desigualdade.

Camaradas lutemos unidos, porque é nossa a vitória final.

Santiago Carrilho
Sobre o/a autor(a)

Santiago Carrilho

Estudante do secundário e ativista na defesa da educação emancipadora, do movimento associativo e dos direitos humanos
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