Grávidas em Portugal sem acompanhamento gestacional

porMárcia Lima Soares

27 de julho 2023 - 23:28
PARTILHAR

O ano de 2023 tem sido marcado por variadíssimas manifestações, tando na Educação, como na Saúde, sendo que nas últimas semanas tenho vindo a aprofundar um assunto de extrema gravidade e que exige a atenção do nosso Governo.

A esmagadora maioria das mulheres grávidas tem tido extrema dificuldade em encontrar um centro que faça ecografias obstétricas, uma vez que muitas clínicas já não têm acordo com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a lista de espera em centros privados faz com que muitas não consigam fazer o devido acompanhamento, em tempo útil.

De acordo com a enfermeira Célia Serra, da USF Santiago de Palmela, «alguns centros de saúde não conseguem acompanhar as grávidas e fazer a vigilância necessária, principalmente na periferia do concelho, o que é dramático.» Houve um aumento do número de grávidas, no entanto, 50% das senhoras são estrangeiras, tratando-se de famílias mais carenciadas e que necessitam de um apoio mais específico. Muitas das gestantes sem médico de família chegam ao centro de saúde já com 28 a 30 semanas de gravidez, sendo tarde para fazer a primeira ecografia e para se fazerem determinados despistes.

Tendo em conta que muitas clínicas cessaram o seu acordo com o SNS, alegando que o Estado é «mau pagador» tenho conhecimento de apenas uma que o mantém, a Unilabs, no concelho do Seixal, distrito de Setúbal, contudo, a lista de espera conta com dois meses, por isso uma senhora que pretenda marcar a ecografia do primeiro trimestre, deverá fazê-lo ainda antes de saber que está grávida. Por outro lado, procurando soluções no privado, certas clínicas não têm, sequer, acordos com outros seguros de saúde e a lista de espera mantém-se, mesmo para quem tem condições de pagar pela consulta.

Ora, trata-se portanto, de uma viagem no tempo, recuando até aos anos 80, em que a maioria das grávidas não fazia quaisquer ecografias, por falta de informação e de meios. Atualmente, temos muito mais conhecimento, mas assistimos à total falência do SNS, naquilo que deviam ser cuidados básicos. Pelo que apurei, esta situação estende-se aos restantes distritos, piorando nos mais populosos.

Urge tomar medidas, para que as gestantes tenham o acompanhamento básico que merecem e para impedir que nasçam bebés com malformações congénitas e incompatíveis com a vida humana.

Márcia Lima Soares
Sobre o/a autor(a)

Márcia Lima Soares

Doutoranda em Estudos Medievais, autora do livro "A Ervilha Congelada", professora, escritora e activista
Termos relacionados: