Está aqui

Gerês: O fogo e as cinzas

A ministra do Ambiente ignorou ostensivamente a tragédia dos incêndios no Parque Natural da Peneda-Gerês, ocorridos em Agosto. Não fosse ficar chamuscada pelas brasas da indignação popular.

Dois meses depois, já com as brasas feitas cinzas e o povo mais calmo, Dulce Pássaro lá fez o favor de aparecer no Gerês, sorrateira, sem grande alarido e longe do povo, para se desolar com tanto negro e dizer que tudo tem sido obra dos excessos estivais.

Claro que a senhora ministra se esqueceu das ordens para cortar no combustível, das viaturas inoperacionais que praticamente impossibilitaram o trabalho de vigilância, ou dos funcionários que desapareceram dos quadros do PNPG para a mobilidade especial para se pouparem uns tostões, e de outras trapalhadas que transformaram o Parque num território votado ao mais irresponsável abandono, abandono esse pronunciador da tragédia.

Como se isto não bastasse, Dulce Pássaro teve o atrevimento de vir ao Gerês dizer mais ou menos isto:

Não tem havido dinheiro para mandar cantar um cego mas descansem que no próximo Orçamento vamos ter ainda menos, o que é maravilhoso porque há outros institutos públicos que ainda vão ter cortes maiores que o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade!

Os governos socialistas têm esta particularidade: a de terem ministros que juram pelas alminhas conseguirem fazer sempre mais com menos. O pior vem depois, como no Gerês onde depois do fogo restam as cinzas.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, técnica de segurança social.
(...)