Gaza – O inferno na Terra/Sionismo igual a nazismo!

porJoão Vasconcelos

16 de dezembro 2023 - 16:58
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Um gigantesco massacre contra a população civil está a ser cometido em Gaza pelo Estado terrorista de Israel, perante a hipocrisia, o silêncio, o incentivo e a proteção dos governos do mundo ocidental, com os norte-americanos à cabeça logo secundados pela UE, onde se inclui o governo português.

No dia 10 de junho de 1944 a comunidade francesa de Oradour-sur-Glane, a cerca de vinte quilómetros da cidade de Limoges foi vítima de um dos maiores massacres praticados em França pelas tropas nazis contra a população civil. Foram assassinadas 643 pessoas e a localidade arrasada, com a maior parte dos edifícios destruídos. Contabilizaram-se 190 homens metralhados, 246 mulheres e 207 crianças metralhadas e queimadas na igreja da localidade. Os oficiais e soldados nazis criminosos de guerra que cometeram o massacre só não foram levados a tribunal porque foram mortos nos dias seguintes nas batalhas que ocorreram com as tropas aliadas.

79 anos depois um gigantesco massacre contra a população civil está a ser cometido em Gaza pelo Estado terrorista de Israel, perante a hipocrisia, o silêncio, o incentivo e a proteção dos governos do mundo ocidental, com os norte-americanos à cabeça logo secundados pela União Europeia, onde se inclui o governo português.

A Faixa de Gaza é um pequeno território palestiniano localizado na costa oriental do Mar Mediterrâneo, no Médio Oriente, que faz fronteira com o Egito a sudoeste (11 km) e com Israel a leste e a norte (51 km). O território tem apena 41 quilómetros de comprimento e 6 a 12 quilómetros de largura, com uma área de 365 quilómetros quadrados, compreendendo cerca de 2,3 milhões de habitantes, um dos territórios mais densamente povoados do planeta. Só a cidade de Gaza, a norte, tem mais de 600 mil habitantes. Desde 2007 que a Faixa de Gaza é governada pelo Hamas e os israelitas, depois de se retirarem do território, impuseram um bloqueio total e bombardearam-no em 2008, 2012, 2014, 2021 e 2023, como retaliação a ataques de mísseis lançados pelos militantes do Hamas contra Israel, o que provocou milhares de mortes palestinianos, sobretudo civis, enquanto grande parte dos mísseis do Hamas foram intercetados pelo sistema de defesa antiaéreo israelita. O território da Faixa de Gaza é considerado o maior campo de concentração a céu aberto com a conivência da comunidade internacional.

No passado dia 7 de outubro teve lugar o ataque brutal do Hamas, a partir de Gaza, contra Israel, vitimando cerca de 1 200 pessoas e fazendo centenas de reféns, grande parte civis israelitas, o que deve merecer a nossa total condenação. Como muito bem disse António Guterres, Secretário-Geral da ONU, os ataques do Hamas não partiram do nada. É preciso saber as suas causas, o que não justificam os atos praticados.

Qual foi a resposta dos governantes políticos e militares do Estado de Israel? A resposta foi a punição coletiva da população civil palestiniana da Faixa de Gaza e, também, em menor grau, da Cijordânia, outro território palestiniano. Além dos bombardeamentos massivos e indiscriminados, das bombas e dos mísseis disparados de centenas de tanques e de aviões que já assassinaram quase 20 mil palestinianos civis, incluindo milhares de mulheres e crianças inocentes, o Estado terrorista de Israel atua com um sadismo abjeto e repugnante, “à boa maneira” nazi, ordenando a deslocação de centenas de milhares de pessoas encurraladas num espaço exíguo e bombardeando-as onde se encontram e para onde se deslocam, usa a fome, a sede, a falta e assistência médica e sanitária, a destruição de milhares de casas, outros edifícios e infraestruturas, como hospitais, escolas, mesquitas, ruas, rede de canalização de água e centrais elétricas. Gaza, um autêntico inferno na Terra. Tudo isto a pretexto de atacar os militantes do Hamas.

Recentemente veio a público uma investigação da revista israelita +972 e que explica, em parte, a ferocidade dos bombardeamentos sobre a população civil de Gaza. Só nos primeiros 5 dias de guerra foram largadas 6 000 bombas com um peso de cerca de 4 000 toneladas e nos primeiros 35 dias foram atacados 15 000 alvos. Só num dia foram mortas 700 pessoas e há outros dias com muitas centenas de vítimas. Conforme referiu no dia 9 de outubro Daniel Hagari, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), “a ênfase está no estrago, não na precisão”.

As IDF recorrem a um sistema que opera através da Inteligência Artificial (IA) que permite gerar centenas de alvos em pouco tempo. O sistema chamado Habsora (“Gospel”) começou a operar em 2019, mas agora encontra-se mais sofisticado, permitindo ao exército gerir uma “fábrica de assassínios em massa”, conforme descreveu um ex-oficial dos serviços secretos israelitas que falou à revista +972. Um outro responsável que trabalhou na Divisão Administrativa dos Alvos, ouvido pela revista e pelo Local Call, um site de notícias hebraico, confirma: “É mesmo como uma fábrica. Trabalhamos mais depressa e não há tempo para avaliar profundamente o alvo”.

Mas a IA não explica por si só o grande número de vítimas mortais. A carnificina verificada também tem a ver com a permissividade em relação ao tipo de alvos e ao número de vítimas esperado em cada ataque. Segundo os responsáveis ouvidos pelos dois media israelitas, sabem de um caso em que “o comando aprovou conscientemente o assassínio de centenas de civis numa tentativa de matar um único comandante militar do Hamas”. E terá sido em inúmeros outros ataques.

Chama-se a isto extermínio, genocídio da população palestiniana para alargar o espaço territorial do Estado de Israel (Grande Israel). Qual é a diferença entre num único dia, os nazis terem assassinado 643 pessoas e os sionistas terem assassinado, também num único dia 700 pessoas? E qual é a diferença entre as vítimas serem metralhadas e queimadas vivas, ou serem despedaçadas e queimadas pelas bombas e pelas casas que as esmagam? O massacre do povo palestiniano, com o recurso a métodos brutais é avassalador. Ou seja, sionismo é igual a nazismo! Os genocidas do Estado de Israel são criminosos de guerra e só atuam desta maneira porque recebem o apoio e a proteção dos governos dos E. U. A., da União Europeia e de outros governantes do chamado mundo ocidental.

O que se impõe é a paragem imediata da guerra, o apoio e a proteção da população de Gaza e da Cijordânia, levar a tribunal os criminosos de guerra e caminhar para uma solução, sem demora, de dois Estados. O Povo Palestiniano também tem direito a um Estado soberano, livre e independente.

João Vasconcelos
Sobre o/a autor(a)

João Vasconcelos

Professor. Doutorado em História Contemporânea.
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