Defender que a agressão a professores deve constituir um crime público é ultrapassar a direita pela direita. É desistir de exigir que o Ministério da Educação e o Governo actuem na raiz dos problemas, é desistir de fazer da escola o lugar da esperança, mesmo quando rodeado de violência por todos os lados.
É difícil de aceitar que uma organização sindical, que se rege por princípios de esquerda, atire com a toalha ao chão e defenda que a solução para a violência é reduzir crianças e adolescentes problemáticos à condição de delinquentes.
Quer isto dizer que não estou preocupada com o que se está a passar? Não. Quer isto dizer que eu não estou solidária com os professores? Não. Quer isto dizer que eu não conheço a dimensão do problema e o clima que se vive nas escolas? Não.
Quer dizer apenas que não considero que entupir os tribunais de menores com queixas e processos possa restabelecer a tranquilidade nas escolas e a autoridade dos professores.
Ao contrário, parece-me que a FENPROF pode estar a cair na sua própria armadilha. Não é por acaso que a ministra da Educação parece aceitar a proposta de bom grado. Pudera! Se até a FENPROF considera que o problema se resolve pela via judicial então não é preciso investir em mais recursos humanos, em mais professores para reduzir o número de alunos por turma, em mais psicólogos, em animadores sócio-culturais, em mediadores.
Estou certa que não é isto que a FENPROF, e os professores que ela representa, desejam.
Não podemos deixar que os professores desistam e deixem de acreditar em si e numa escola pública que seja o lugar de Todos.
Mas também não podemos desistir dos alunos. Muito menos dos mais problemáticos. Que são, porventura, os que mais precisam da escola. E dos seus professores.