Agora, outras notícias vindas de Espanha (Público, 24.01.10) dão conta que municípios da esquerda e da direita procuram impedir que os imigrantes se inscrevam no registo municipal para, segundo a lei, terem acesso à saude e à educação. Apesar do registo ser obrigatório, os municípios recusam-se a aceitar esta inscrição e assim recusam direitos humanos fundamentais. O argumento fácil, superficial e estúpido de que "em Espanha não cabem todos" ganha terreno, numa sociedade (europeia) que perante a crise - que não é só económica, mas também de valores - cai (de novo!) no populismo xenófobo, no nacionalismo reaccionário.
Os poderes públicos que incentivam a xenofobia, aprofundam e legitimam perigosamente a violência que crescentemente vai sendo usada contra imigrantes, como aconteceu em Italia. Na Catalunha, a esquerda republicana, que recusa o registo de imigrantes, esqueceu a importância do internacionalismo, da solidariedade entre os povos e da universalidade da exploração capitalista e suas consequências.
A esquerda não pode deixar de defender os imigrantes e de lhes reconhecer todos os direitos, perante uma Europa que avança na criminalização da imigração (veja-se a Directiva da Vergonha) e na dupla utilização dos imigrantes, ora como mão de obra escrava, ora como bode expiatório e trampolim político do populismo. Não pode deixar de apontar as condições desumanas em que vivem e a exploração que sofrem no mercado de trabalho, não pode deixar de contrariar as formas cada vez mais precárias de regularização adaptadas a "usar e deitar fora" que tão bem serve determinados interesses. Não pode esquecer que são vítimas de ditaduras, guerras e de políticas económicas erradas, sobretudo da liberalização dos mercados, que enfraquece as economias nacionais e promove mais exclusão e desemprego. Não pode, acima de tudo, seguir o caminho do cinismo...