Estreito de Ormuz – as Termópilas do Irão

porJoão Vasconcelos

18 de abril 2026 - 21:38
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Ao paralisar 20% do comércio de petróleo a nível mundial, o Irão conseguiu paralisar, em grande parte, as rédeas da economia mundial. O bloqueio transformou a agressão imperialista num prejuízo insuportável para a economia mundial, obrigando Trump e Netanyauh a aceitar a mediação do Paquistão.

O Imperador Trump, o Calígula do nosso tempo, e o genocida Netanyahu, iniciaram uma guerra ilegal e criminosa, totalmente à margem do direito internacional, contra a nação iraniana. Centenas de aviões bombardeiros despejaram, ao longo de 40 dias e de forma ininterrupta milhares de mísseis e de bombas contra as infraestruturas militares – dizem eles – da República teocrática dos Ayatolas e da sua Guarda Revolucionária Islâmica.

O que é uma pérfida mentira. A pretexto do Irão estar a dias de construir uma bomba nuclear, mais uma colossal mentira similar à de 2003 quando os E.U.A. invadiram o Iraque dizendo que este país tinha armas de destruição maciça, tudo bombardearam. Além de esquadras policiais, quartéis militares, a marinha e a aviação iranianas, os bárbaros terroristas destruíram inúmeras instalações civis de uma das civilizações mais antigas do mundo e provocaram mais de dois mil mortos e milhares de feridos, a começar pelo massacre de 180 meninas numa escola na cidade iraniana de Minab.

Foram mais de 13 mil alvos atingidos, onde se incluem hospitais, fábricas farmacêuticas, pontes, escolas, universidades, institutos e outras estruturas civis. O Calígula Trump que já tinha dito qual a principal razão da guerra – controlar o petróleo do Irão, tal como o que fizera em relação ao petróleo da Venezuela – ameaçou extinguir uma civilização milenar com 90 milhões de almas. O seu cachorro carniceiro e criminoso de guerra Netanyauh aproveitou-se da conjuntura guerreira para bombardear não só o Irão, mas Beirute e o Líbano, arrasando vários bairros e localidades à semelhança de Gaza e provocando milhares de vítimas inocentes e milhões de deslocados.

É abjeta, repugnante e verdadeiramente obscena a posição da maioria dos governantes europeus, a começar por Ursula von der Leyen e António Costa. Além de não condenarem com veemência a guerra ilegal do psicopata Trump, mantêm-se mudos e calados perante as práticas terroristas e a continuação da guerra de extermínio do Estado sionista sobre as populações indefesas do Líbano. E já agora, o seu silêncio cobarde faz deles cúmplices da limpeza ética que continua em Gaza e na Cisjordânia. Luís Montenegro e o seu governo PSD/CDS, com o apoio do Chega e da Iniciativa Liberal, erraram vergonhosamente e ficaram com as mãos sujas de sangue ao colocarem a base das Lajes e Portugal diretamente na guerra trumpista.

Felizmente, houve dirigentes europeus que foram exceção, a começar por Pedro Sánchez, chefe do governo espanhol, que recusou ceder as bases militares para uma guerra de agressão a um país soberano. Até a populista de extrema-direita Giorgia Meloni, de Itália, recusou um pedido específico dos EUA para usar a base aérea de Sigonella, na Sicília. Outros países, como a Áustria, Espanha, França e Suiça, não autorizaram ou limitaram o seu espaço aéreo a aeronaves de guerra norte-americanas.

Sensatamente os restantes países da NATO recusaram embarcar na cruzada guerreira de Trump para abrir pela força o Estreito de Ormuz, pois pressentiram uma derrota avassaladora às mãos das tropas iranianas e evitaram, para já, o Armagedão. O Calígula cobarde, apesar dos seus porta-aviões, das centenas de aviões e de outros engenhos de guerra mais modernos na região, não se atreveu a aventurar pelo Estreito que ficou sob o domínio, há cinco séculos atrás, de Afonso de Albuquerque conhecido como o “César do Oriente”. Trump ficou ofendido por ter sido abandonado pelos seus parceiros da NATO e apelidou-os de “cobardes”. Estes, mais uma vez, enfiaram a “viola no saco” e primaram pelo silêncio vergonhoso e cobarde, de facto. A vassalagem europeia atinge o expoente máximo com a sabujice de Mark Rutte, Secretário-Geral da NATO e que é um autêntico incendiário e que, de forma envergonhada, lá foi mais uma vez beijar os pés do “papá” tirano.

O Irão é uma ditadura teocrática e tem cometido muitos crimes contra as suas populações, mas foi alvo de uma guerra criminosa perpetrada pelo Império mais poderoso do mundo e pelo Estado nazi-sionista. Apesar das grandes destruições, mortes e sofrimento dos seus habitantes, soube defender-se e surpreendeu até os terroristas bárbaros. O que se assistiu com o cessar-fogo foi a uma capitulação da maior superpotência militar e do seu cúmplice sionista. O banditismo imperialista e os monstros Trump e Netanyahu foram vergonhosamente humilhados e derrotados pelo povo iraniano, herdeiro da florescente civilização persa.

Um dos aspetos-chave da resistência e vitória do Irão para já – mesmo que seja derrotado no futuro, o que é deveras duvidoso – tem a ver com o encerramento e controle do Estreito de Ormuz. Ao paralisar 20% do comércio de petróleo a nível mundial, o Irão conseguiu paralisar, em grande parte, as rédeas da economia mundial. O bloqueio transformou a agressão imperialista num prejuízo insuportável para a economia mundial, obrigando Trump e Netanyauh a aceitar a mediação do Paquistão. O Irão operou uma verdadeira jogada de mestre desferindo a maior derrota estratégica ao maior império mundial.

O Estreito de Ormuz está a revelar-se como as verdadeiras Termópilas da atualidade para o Irão, passados 2 500 anos da batalha do Desfiladeiro das Termópilas travada pelos exércitos do Império Persa frente aos 300 guerreiros da Esparta Grega. Esta batalha foi um dos confrontos mais famosos da Antiguidade, que ocorreu no ano 480 a. C., durante as Guerras Médicas, entre gregos e persas. Os persas liderados pelo rei Xerxes I, tentou invadir a Grécia com cerca de 200 mil soldados. O exército grego, em muito menor número, liderado por Esparta procurou deter os persas no estreito desfiladeiro montanhoso das Termópilas. Durante 3 dias os gregos conseguiram resistir ao numeroso exército persa, enfrentando-o na principal batalha 300 espartanos comandados pelo rei Leónidas I, embora tenham sido massacrados.

Xerxes venceu a batalha, mas sofreu milhares de baixas entre o seu exército e atrasou a progressão persa, o que foi determinante para a resistência dos gregos unidos, que acabaram por derrotar os persas nas batalhas de Salamina e Plateias, levando o “Rei dos Reis” a abandonar a Grécia. A resistência grega e espartana, principalmente nas Termópilas, tronou-se um símbolo de coragem, sacrifício e estratégia militar.

O Estreito de Ormuz significa, na atualidade, a vingança do Irão face ao que representou o desaire das Termópilas sofrido pelo Império Persa na Antiguidade. No fundo, representa as verdadeiras Termópilas para o Irão. E a verdadeira batalha pelo Estreito de Ormuz ainda não começou.

João Vasconcelos
Sobre o/a autor(a)

João Vasconcelos

Professor. Mestre em História Contemporânea.
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