A equipa de videografia do ministro da Presidência é bastante competente. O vídeo que o próprio fez circular nas redes sociais, em que arregaça as mangas, rói as unhas e participa em reuniões, está impecavelmente filmado e bem montado. O problema é que a publicação de um vídeo de auto-promoção no meio de uma catástrofe nacional é de uma insensibilidade extrema. Há uma boa execução, mas uma gestão mais do que incompetente da resposta necessária.
Essa fórmula aplica-se a como o Governo geriu a crise em toda a linha. A proteção civil, os serviços públicos, as autarquias e as forças armadas responderam com profissionalismo à crise e são motivo de orgulho. Por oposição, toda a resposta política do Governo à catástrofe é de uma incompetência gritante.
Os modelos meteorológicos previram o pior e o Governo não fez nada. A tempestade Kristin devastava o país e a ministra da Administração Interna estava numa cerimónia de distribuição de espadas (depois mentiu e disse que estava a trabalhar “em contexto de invisibilidade”). Ao mesmo tempo, o diretor da Proteção Civil estava fora do país e o secretário de Estado da Administração Interna fazia campanha para a sua reeleição na distrital do PSD. Os apoios tardaram, e o ministro da Economia aconselhou que as pessoas usassem o seu salário para sobreviver.
Conclusão: mais de uma dezena de vítimas mortais, que o primeiro-ministro sinalizou dizendo que “não conseguiram evitar a trágica consequência de perder a vida”. Outra conclusão: uma região inteira devastada e a falta de uma resposta do Estado para quem está mais vulnerável. Conclusão final: estamos à mercê da incompetência.
Esta catástrofe permitiu-nos fazer a constatação assustadora de que quem está ao leme não está preparado para estar. Não há uma visão estruturada para o país e para o futuro, há uma pulsão para ir entregando serviços e infraestruturas aos privados, que nos deixam náufragos no meio de uma crise.
É essa a governação que o Governo PSD/CDS nos guarda, e já o provou. Primeiro na gestão dos incêndios, depois nos casos da saúde e agora com a resposta às tempestades. Não há uma estratégia de resposta a crises pensada e estruturada, há um conjunto de ministros cujas agendas individuais se vão sobrepondo de forma errática e insensível, na busca de um protagonismo provinciano.