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Em legítima defesa!

É a hora dos trabalhadores do Estaleiros Navais de Viana e dos cidadãos do Alto Minho saírem para a rua e se fazerem ouvir. Em legítima defesa, contra um governo que tem tido na destruição da economia e no empobrecimento da esmagadora maioria das pessoas a sua imagem de marca.

De um governo que procurou, por todos os meios, destruir a dignidade produtiva ao longo de tempo sem fim a uma unidade industrial com a importância estratégica dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, não se esperaria nada de bom na conclusão desse processo. Mas o fim agora anunciado é mesmo assim surpreendente. Porque contém um conjunto dificilmente superável de incongruências na argumentação e um desprezo absoluto pelos interesses do país e da região.

O negócio incompreensível sob todos os pontos de vista, desde o do interesse público ao da viabilidade do projeto, com uma empresa que não convence ninguém de bom senso que tenha unhas para tocar a viola da construção naval a sério, seria apenas de um ridículo imenso se não representasse um ato liquidatário com um efeito demasiado profundo na economia do Alto Minho e um impacto social fortíssimo em cima de uma realidade que todos sabemos já muito sobrecarregada de dificuldades.

Os trinta milhões tirados da cartola mágica, imediatamente acenados como estando disponíveis para indemnizar trabalhadores, são um detalhe eloquente na estratégia de comunicação utilizada pelo ministro da tutela. Assim, aquilo que em condições normais seria uma compensação indemnizatória não desejada quando comparada com a manutenção do posto de trabalho, ganhou o brilhozinho de um brinde tentador face a um desfecho inevitável.

Como quase sempre nestas ocasiões, o desenvolvimento do debate público suscitado pelas circunstâncias dá-nos uma ideia mais clara sobre os factos. Sobre o estranho caminho que os Estaleiros Navais de Viana do Castelo têm feito de há muitos anos para cá. Temos todos tido oportunidade de aprender muito com este debate. Daí, para além da crise no sector da construção naval parece poder-se assacar múltiplas responsabilidades sobre erros, maus negócios, má gestão, negligências, falta de iniciativa e criatividade, etc., à empresa como um todo, a diferentes administrações e aos governos. Contudo, é indispensável que esse debate se faça sem a habilidade desonesta de confundir nas suas malhas esta última etapa que constitui, por si, o mais nebuloso de todos os períodos na forma e o mais claro e decisivo de todos no conteúdo. E que poderá resumir-se em três propósitos sequenciais muito claros por parte do governo: fragilizar, desacreditar e destruir.

É a hora dos trabalhadores do Estaleiros e dos cidadãos do Alto Minho saírem para a rua e se fazerem ouvir neste processo. Em defesa de uma unidade industrial que constitui uma peça fundamental para o equilíbrio da economia regional, que precisa de ser reativada e não destruída. Em defesa de uma extraordinária escola de profissionais, que a empresa tem sido desde a sua fundação. Em defesa de postos de trabalho qualificados e da dignidade profissional. Em legítima defesa, contra um governo que tem tido na destruição da economia e no empobrecimento da esmagadora maioria das pessoas a sua imagem de marca.

Artigo publicado no jornal regional “A Aurora do Lima” em 12 de dezembro".

Sobre o/a autor(a)

Designer. Membro da concelhia do Bloco de Esquerda de Caminha.
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