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E sobre o concreto… nada?

O que nos é oferecido por PSD e PS - que têm alternado, no poder, na República - são declarações sonoras sobre os Açores, as quais, depois de serem esmiuçadas, não nos garantem absolutamente nada de concreto.

Estamos em plena campanha eleitoral. Ainda não formalmente, é certo, mas a realidade mostra-nos que a campanha já teve o seu início.

Até agora, fomos presenteados/as com a vinda de António Costa e estamos à espera de Passos Coelho. Mas, enquanto aguardamos, temos Berta Cabral a fazer as despesas da campanha.

Pela amostra, o que nos é oferecido por estes dois Partidos - que têm alternado, no poder, na República - são declarações sonoras sobre os Açores, as quais, depois de serem esmiuçadas, não nos garantem absolutamente nada de concreto.

Ouvimos a Doutora Berta Cabral dizer, no seguimento de Passos Coelho, que a prioridade máxima da próxima legislatura é a luta contra as desigualdades.

Isto vindo de uma Secretária de Estado de um governo que baixou o salário médio, em Portugal, em 300 euros mensais e colocou 1/5 dos/as portugueses/as que têm emprego a receber o ordenado mínimo… é obra… e muito descaramento.

António Costa chega e ataca o Governo da República, por negar aos Açores a gestão partilhada do seu mar. De facto, sobre isto estamos de acordo.

O problema é acreditar que tudo será diferente com o PS, quando este partido alinhou, com o PSD e o CDS, na Assembleia da República, ao aprovar a Lei de Bases do Ordenamento Marítimo que privatiza todo o Mar. No processo desta Lei, foram os deputados do Bloco de Esquerda que assumiram a defesa dos Açores, consignando a obrigação de consultar a Região. Estranhamente, o PS, nesta altura, não se lembrou!

Em vez de conversa vadia, seria muito melhor concentrarmo-nos no ‘urgente’ e no ‘concreto’. E, para o Bloco de Esquerda, ‘concreto’ é, por exemplo:

- Não fazer jogos florais com a Autonomia e assumir uma revisão constitucional que dê poderes à Região, no sentido de esta ter a última palavra sobre questões que a condicionem, sobremaneira – como é o caso da gestão do Mar e de alguns tratados internacionais. Qual a resposta de PS e PSD a este desafio?

- Ao fim de dez anos de o Bloco de Esquerda defender a implementação de um Centro Internacional de Investigação das Ciências do Mar e Alterações Climáticas, vêm, agora, PS e PSD dizer que também o querem. Ora ainda bem! E se não é só para embelezar os respetivos manifestos eleitorais, ficamos à espera da resposta: para quando, como e com quem?

- Como sempre defendemos, os/as Açorianos/as não têm de pagar às instituições hospitalares que integram o Serviço Nacional de Saúde os custos de procedimentos médicos que não podem ser feitos na Região. Que compromisso assumem os/as candidatos/as destes partidos sobre esta matéria?

- Para quando dotar os Açores das tripulações necessárias para garantir as operações de busca e salvamento no mar, assim como a deslocação de doentes ou acidentados? A falta destes meios já provocou mortes. Qual o compromisso, quanto a isto?

- Para quando a pista do aeroporto da Horta ou o novo estabelecimento prisional de Ponta Delgada? Ambos foram alvo de anos e anos de promessas mas, quem tanto prometeu estes investimentos não cumpriu. Desta vez, será a sério? Ou continuamos na saga do ‘promete tudo’ mas ‘não se compromete com nada’?

Eis alguns exemplos concretos daquilo que o Bloco de Esquerda assume lutar, na Assembleia da República, pelos Açores. E está afirmado, preto no branco, no nosso programa nacional!

Alguém tem dúvidas de que o faremos?

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Deputada à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, entre 2008 e 2018.
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