Dizem que é o mercado a funcionar...

porAndré Beja

26 de agosto 2010 - 1:39
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Basta olhar para os ganhos do sector da energia no primeiro semestre para perceber que os capitalistas não se podem queixar.

O verão ia adiantado quando foram conhecidos os resultados do primeiro semestre das principais empresas que actuam no mercado português.

Apesar da crise, e de algumas quebras nos milhões acumulados aqui e ali, basta olhar para os ganhos do sector da energia para perceber que os capitalistas não se podem queixar.

A vida não correu tão bem para a “EDP Renováveis” e à REN, que viram os seus lucros baixar, quando comparados com o mesmo período do ano anterior. Ficaram-se, respectivamente, por uns míseros 43 milhões e 56,6 Milhões de Euros de lucro.

Comentando os resultados do primeiro semestre, António Mexia, presidente da EDP, registou a subida de 19% como “o melhor semestre de sempre da companhia”.

Já a Galp, viu os seus lucros crescerem 46,5 por cento face ao período homólogo, para os 148,05 milhões.

Sobre os resultados semestrais da espanhola Endesa, que em Portugal está presente quer na comercialização quer na produção de electricidade, ainda pouco se sabe.  Mas os indicadores globais do primeiro trimestre desta empresa eram promissores.

Recorde-se que a Endesa entrou recentemente no mercado da distribuição para quebrar o monopólio da EDP.

Tudo números de perder o fôlego, tal é o sua enormidade. No entanto, soubemos agora que, no próximo ano, o preço da electricidade terá um agravamento adicional de um ponto percentual. Parece que as empresas terão de garantir fornecimento de electricidade à rede a qualquer hora no mercado liberalizado e que isso terá de ser pago por alguém.

Esta novidade vem, mais uma vez, demonstrar que o mercado e a concorrência não são sinónimo de benefício para o consumidor. Na verdade, as empresas aceitam entrar no jogo antecipando os ganhos e prometendo maravilhas derivados do sistema concorrencial. Mas, quando a coisa aperta, os custos adicionais são sempre rapados dos bolsos de quem deveria ter o direito de usufruir de um serviço em vez de ser parceiro à força de um negócio.

André Beja
Sobre o/a autor(a)

André Beja

Enfermeiro, doutorando em Saúde Internacional no IHMT/NOVA. Deputado municipal em Sintra, eleito pelo Bloco de Esquerda
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