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A Corrida aos 20%

E se os números das regiões mais afetadas demonstram que a corrida aos 20% de desemprego a nível nacional está ao rubro, Passos Coelho lá vai informando que tudo está “razoavelmente” de acordo com as previsões e que este aumento “é normal”.

Ficámos na quarta-feira a saber que o desemprego atingiu 923 mil pessoas no último trimestre de 2012. Segundo o INE, atingiu o patamar dos 16,9%. Ou seja, a economia perdeu nada mais nada menos do que 200 mil empregos num ano. Em termos anuais, quando comparados 2011 e 2012, Portugal teve um aumento de desemprego na ordem dos 21%. Ficámos também a saber que que Algarve e Madeira estão já com 19,7% de desempregados e em Lisboa os números atingem os 18,7%.

E se os números das regiões mais afetadas demonstram que a corrida aos 20% de desemprego a nível nacional está ao rubro, Passos Coelho lá vai informando que tudo está “razoavelmente” de acordo com as previsões e que este aumento “é normal”.Acrescentemos a toda esta normalidade que apenas 43% dos afetados recebem prestações de desemprego e ficamos com uma triste ideia da calamidade em curso. Acrescentemos também que os dados oficiais conseguem sempre mitigar uma realidade mais dura e percebemos que o que já parece terrível é na verdade ainda pior.

E não é necessário ser-se uma “Maya” da política para se saber qual a linha discursiva que virá da direita política no poder: “Estamos surpresos, mas... O desemprego é um dos problemas do atual ajustamento, mas... Temos de intensificar o ajustamento em nome da competitividade da nossa economia.” A história repete-se constantemente. O cenário de calamidade economico-social em que estamos era previsível há muito. E os esquerdistas, os radicais líricos do costume, por acaso alertaram para ele assim que todo este processo começou: uma contração brusca na despesa do Estado e no poder de compra dos portugueses originaria um ciclo recessivo catastrófico.

Os resultados estão à vista. E o próximo grande passo na corrida aos 20% está já à porta: o corte dos quatro mil milhões. Esta semana, a este propósito, alguém me dizia um “seja o que Deus quiser...”. Corrijo para: seja o que nós quisermos.

Sobre o/a autor(a)

Politólogo, autor do blogue Ativismo de Sofá
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