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Contra as políticas do desastre social

A taxa de desemprego continua a crescer, somando níveis históricos a recordes históricos. Já vamos nos 10,5%, de acordo com o Eurostat, o que nos coloca no 4º lugar dos países europeus com maior índice de desemprego. Em números oficiais significa que há quase 600 mil pessoas sem emprego, o que significa que em termos efectivos o número é muito superior. Estes valores quase que triplicaram nos últimos 10 anos: no final de 1999 existiam 215,2 mil desempregado/as.

Daqui resulta a evidência de que as politicas económicas aplicadas nesta década foram um absoluto desastre social. E é o falhanço da economia, cujo produto está hoje aos níveis de 2005 e divergiu nestes 10 anos dos restantes países europeus, que tornam Portugal vulnerável ao ataque especulativo sem escrúpulos dos mercados internacionais, provocando o aumento da taxa de juro da dívida pública.

E perante os ataques especulativos que debilitam ainda mais a economia qual é a resposta do Governo Sócrates? É aplicar a receita do desastre social, em aliança com a direita na reinvenção de um novo Bloco Central. Esta receita é simples: desistir de uma economia que crie emprego e aumente poder de compra e penalizar quem está no desemprego e é mais pobre através do corte das prestações sociais.

O Plano de Estabilidade e Crescimento prevê apenas a criação de 25 mil postos de trabalho até 2013, quando o número de pessoas que ficaram desempregadas só em Janeiro deste ano foi de 35 mil. Ao mesmo tempo, prevê o corte no acesso ao subsídio de desemprego, hoje disponível para menos de metade de quem está sem emprego, obrigando estas pessoas a aceitar trabalhos mal pagos, inclusive abaixo do salário mínimo nacional. O objectivo: baixar salários, aumentar a precariedade, debilitar o Estado previdência e, por fim, entregar ao sistema financeiro e grandes grupos económicos as suas funções essenciais de serviço público garantes de justiça social.

O liberalismo económico não pode ser a resposta à crise gerada pelas políticas liberais, porque conhecemos quais os seus resultados: desemprego, desregulação laboral, pobreza e desigualdades sociais.

Nem podem os responsáveis pela crise ganhar com a crise. É inaceitável que o sistema financeiro, o qual quando esteve em apuros recebeu milhares de milhões de dinheiro dos contribuintes a taxas de juro reduzidas, agora empreste dinheiro aos países a taxas de juro elevadas, agravando a situação financeira dos Estados ao mesmo tempo que apresenta lucros altos nos picos da crise. E tudo com a cumplicidade de agências de rating que deram boa classificação aos activos tóxicos, mas também com a irresponsabilidade de uma União Europeia que já deveria ter criado uma agência de notação própria, alterado as regras que impedem o Banco Central Europeu de fazer empréstimos a países e apoiado de imediato a Grécia quando sofreu o ataque especulativo que agora ameaça alastrar-se a toda a Europa.

Esta política de desastre social não é inevitável. No 1º de Maio temos de estar presentes e fazer ouvir a nossa voz na luta por alternativas contra esta política de austeridade sobre quem trabalha, é precário/a, está no desemprego ou tem dificuldades económicas.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, engenheira agrónoma.
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