A direita já não esconde ao que vem, como mostra a sua proposta de revisão constitucional. O visado é o estado social, o objectivo é o seu desmantelamento. As eleições presidenciais são um dos palcos onde essa disputa se irá desenrolar. A eleição de Manuel Alegre é a garantia que os portugueses podem ter um Presidente da República que será o primeiro defensor dessa conquista de Abril.
Cavaco Silva é o candidato das desigualdades e do obscurantismo. É o candidato que se esquece do que seria importante esclarecer e que foge às perguntas quando estas são incómodas. O seu legado é o do apadrinhamento dos planos de austeridade e das reduções dos direitos dos trabalhadores. É, também, o legado das privatizações e do desbaratar de milhares de milhões de fundos comunitários. O candidato cuja seriedade não pode ser colocada em causa, a não ser que se nasça duas vezes como ele diz, é quem mais deve explicações sobre os negócios e as ligações económicas. Os homens de Cavaco, então primeiro-ministro, são rostos da corrupção e do crime económico e os responsáveis do maior buraco financeiro do país.
As eleições presidenciais colocam frente-a-frente visões polarizadas de Portugal para o futuro. De um lado, a direita conta com Cavaco para apadrinhar o ataque ao Estado Social e ele já se mostrou disponível para o efeito. Essa é a sua matriz neoliberal e a sua prática política no desmembramento das conquistas de Abril. Do outro lado, Alegre é a esperança da Esquerda na defesa de um futuro mais igual e solidário e a garantia de que não deixará que o Estado Social seja colocado em causa. A escolha é clara e não deixa dúvidas.
A importância das presidenciais é a do toque a reunir em defesa do Estado Social. Manuel Alegre é a o rosto dessa escolha e a melhor arma contra Cavaco. No dia 23, seremos chamados a contribuir com o nosso maior trunfo que é o voto. Até lá, é altura de juntar forças e congregar vontades para esta alternativa. Está nas nossas mãos criar a enorme vitória da Esquerda que será a derrota de Cavaco.