Os exames nacionais são o máximo da política individualista do neoliberalismo. Todo o sistema educacional português vive em volta de fortalecer o capital. Desde as aprendizagens, ao sistema de avaliação virado para a pauta e não para o estudante. É preciso mudar o sistema educacional português, pondo um fim ao neoliberalismo exacerbado.
O sistema educacional é quem prepara os estudantes para se habituarem à precariedade da vida que o capitalismo nos impõe. É outra vez o “habituem-se à precarização que o teu futuro só vai ser esse”, o futuro precário. É esta lenga lenga que o neoliberalismo e os seus interesses nos dizem. Por isso é preciso mudar o sistema educacional, mas mudar, não é pensar em simples reformas, ou só o fim dos exames. É o fim do atual sistema de ensino e a criação de um novo. Este novo sistema educacional tem que ser pensado em formar estudantes para um futuro próspero, formando um pensamento crítico e acima de tudo, acabando com o individualismo e fixando o pensamento coletivo como um dos pilares da nossa sociedade.
O modelo educacional atual já mostrou as suas múltiplas falhas, já mostrou que não funciona. Os estudantes, os professores e toda a comunidade escolar já sabem a incompetência do sistema, afinal são eles que são afetados todos os dias pelo sistema. A educação portuguesa não funciona para nós, o povo. Mas para o capital funciona e muito bem. Habituar os estudantes à precariedade eterna é um dos objetivos, este liga-se por exemplo à precariedade que o pacote laboral apresentado pelo governo nos impõe, ou até aos baixos salários e à crise da habitação. Esta precariedade já é o normal dos estudantes, as nossas escolas estão com condições precárias, este é o primeiro ponto do “habituem-se à precariedade” O individualismo já normalizado nas escolas é também um objetivo, o individualismo é um dos pilares do sistema capitalista, é este que faz com que a competição entre estudantes seja levada ao extremo, levando à falta de pensamento coletivo e ao fim da solidariedade entre o povo. uma das ferramentas do neoliberalismo para fomentar o individualismo são os exames nacionais e também o sistema de avaliação virado para a pauta. A crescente corrente do ódio nas salas de aula, este que é implantado pelos discursos fascizantes da extrema-direita. Este tipo de discurso corrompe a sociedade e consequentemente as salas de aula. O crescimento do ódio nas salas explica-se com uma insatisfação do sistema, mas infelizmente os sistemas são confundidos - a democracia e o sistema capitalista. Este ódio é instrumentalizado dentro das nossas salas de aula com a finalidade de fortalecer o capital, e dividir a classe trabalhadora.
Estes três pontos são as chaves para mudar o sistema educacional, quando falamos num novo sistema educacional, falamos em derrubar um sistema que nos oprime todos os dias.
É urgente falarmos de uma alternativa à educação portuguesa. Este novo sistema terá de ter como pilar alguns pontos. Primeiro é preciso escolas com condições, este será um dos grandes objetivos do Bloco de Esquerda, escolas com condições para que os estudantes e toda a comunidade escolar tenha condições para fazer o seu trabalho. Só numa escola com condições é que podemos fomentar o pensamento crítico, aprender e formar jovens. Segundo, é urgente pensar num novo sistema de avaliação em que os estudantes estão no centro, e não uma pauta que não interessa a ninguém. O atual sistema de avaliação é injusto e essa injustiça é mérito dos exames nacionais. Então é preciso acabar com os exames nacionais. Terceiro, novos currículos e novas aprendizagens. Os currículos atuais estão desatualizados face à realidade do país. Existe um excesso de conteúdos, com uma matéria extremamente extensa para o tempo de aulas. O atual método foca-se no excesso de testes, o que promove o estudo temporário e leva à memorização temporária da matéria e não à sua aprendizagem. As aprendizagens da educação portuguesa também precisam de ser mudadas. Elas estão extremamente desatualizadas face à realidade dos estudantes e dos professores. As aprendizagens tentam uniformizar um sistema que não pode ser uniformizado, nem todas as escolas têm a mesma realidade. Esta uniformização gera desigualdade, por isso tem que mudar. Existe também um foco excessivo em avaliações e em resultados, como se a vida na escola se resumisse a meras notas na pauta e não na aprendizagem.
Este novo sistema tem de ser um consenso entre os estudantes e professores, de forma a fortalecer a igualdade e a diminuir a desigualdade entre estudantes nas escolas. O Bloco de Esquerda estará aqui, pelos estudantes e professores, que não se conformam com a ideia que não existe alternativa. O fim do modelo atual da educação portuguesa irá significar um avanço histórico na educação e na sociedade portuguesa. A mudança deste sistema será uma das frentes contra o neoliberalismo. Esta nova educação é possível, só tens que acreditar e querer.