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Bom dia para o Museu Ferroviário

No âmbito do Orçamento do Estado para 2019, o Bloco de Esquerda voltou à carga com a mesma proposta, para salvar o Museu. Depois, o PS veio juntar-se… Ambas acabariam aprovadas por unanimidade.

O Museu Nacional Ferroviário no Entroncamento ainda é desconhecido de muita gente. Não sabem o que perdem. Está ali reunido um vasto e muito valioso espólio ferroviário, desde pequenas peças ao espetacular comboio real, passando pelo comboio presidencial. Surpreende sempre as pessoas que, cada vez em maior número, o visitam e aí são acolhidas por uma equipa competente e entusiasta.

Mas um museu, mais a mais daquela dimensão, é muito caro e exige financiamento permanente. A receita da bilheteira é muito escassa e há peças cuja recuperação custa muitos milhares de euros. Nos últimos anos, o museu tem sobrevivido num permanente sufoco financeiro, à beira do encerramento.

Empresas fundadoras, como a Infraestruturas de Portugal e a CP, até se têm revelado disponíveis para alimentar a instituição. Simplesmente, um decreto-lei do tempo do anterior governo cortou drasticamente na possibilidade de efetuar transferências para fundações, como a do Museu Ferroviário.

Os cortes nas transferências admitiam umas quantas (poucas) exceções, para onde o financiamento poderia continuar a fluir sem problemas. Porém, nessa lista de exceções não estava a Fundação do Museu Nacional Ferroviário, apesar de esta ser uma instituição absolutamente credível.

No ano passado, na Assembleia da República e no âmbito do Orçamento de Estado para 2018, o Bloco de Esquerda propôs que a Fundação do Museu Ferroviário se juntasse à tal lista de exceções, o que poderia resolver a sua asfixia financeira. Simplesmente, na altura, PS e PSD chumbaram a proposta do Bloco. E o Museu chegou mesmo à beira do abismo.

Este ano, no âmbito do Orçamento de Estado para 2019, o Bloco de Esquerda voltou à carga com a mesma proposta, para salvar o Museu. Depois, o PS veio juntar-se, com uma proposta igual à do Bloco e que tinham chumbado há um ano… Ambas acabariam aprovadas por unanimidade na Assembleia da República.

A iniciativa e a persistência podem dar bons resultados. Foi o caso.

Pena é que não tenha resultado logo no final de 2018. PS e PSD poderiam ter evitado muitas angústias a quem lá trabalha e a quem sabe a enorme valia do projeto do Museu Nacional Ferroviário. Enfim, vale mais tarde do que nunca: o Museu continuará de portas aberta e a surpreender os visitantes.

Artigo adaptado de um original publicado no “Correio do Ribatejo”

Sobre o/a autor(a)

Deputado, eleito pelo círculo de Santarém, e coordenador do Bloco na comissão parlamentar de agricultura e mar. Engenheiro técnico de comunicações
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