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Bloco contra isenção de taxas ao Rock in Rio

A empresa promotora do Rock in Rio, a Better World, foi novamente isentada de taxas municipais pela CML, desta vez para as edições de 2016 e 2018. O Bloco de Esquerda só poderia votar contra esta proposta.

Mais uma edição e mais uma isenção. A parceria entre António Costa e Roberta Medina continua a funcionar na perfeição. A empresa promotora do Rock in Rio, a Better World, foi novamente isentada de taxas municipais pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), desta vez para as edições de 2016 e 2018. Desde 2004 que a Better World não paga uma única taxa municipal pela realização do Rock in Rio no Parque da Bela Vista e ainda beneficia de inúmeros serviços prestados gratuitamente pela autarquia.

No total, e por edição, serão 2,9 milhões de euros de taxas municipais acrescidos de 600 mil euros em apoio concedido pelo município em montagens, limpeza ou proteção e segurança. Esta política tem vindo a ser seguida pelo executivo de António Costa e repete-se com outros eventos. O Bloco de Esquerda só poderia votar contra

O evento que tem um orçamento superior a 25 milhões de euros conta este ano também com uma ajuda do Governo. O Instituto Português do Desporto e da Juventude resolveu emitir certificados de participação para “enriquecer” os currículos dos milhares de desempregados do país, em especial dos jovens. Em março deste ano, mais de 35% da população ativa com idades entre os 15 e os 24 anos não tinha emprego e a solução de Passos Coelho e Paulo Portas é um certificado de participação e uma t-shirt da Better World. Se a Better World pagasse 5 euros por hora a estes 400 voluntários, teria um custo de 80 mil euros no total dos cinco dias do evento. Mas a empresa de Roberta Medina prefere concentrar os seus esforços num mundo melhor doando os restos de comida aos pobres de Lisboa e à Sra. Jonet.

Na passada semana a Assembleia Municipal de Lisboa (AML) discutiu e votou a proposta da CML de isentar as edições de 2016 e 2018. No total, e por edição, serão 2,9 milhões de euros de taxas municipais acrescidos de 600 mil euros em apoio concedido pelo município em montagens, limpeza ou proteção e segurança. Esta política tem vindo a ser seguida pelo executivo de António Costa e repete-se com outros eventos. Também a Volvo Ocean Race e a Tall Ships Race, eventos náuticos no Tejo, foram alvo de isenção de taxas municipais. Num momento de crise social profunda, o município de Lisboa tem de reunir todos os recursos para responder de imediato e concentrar-se no mais urgente. O fundo de emergência social precisa de ser reforçado e de ser posto a funcionar. O valor de isenções que a CML concede a Better World é superior a duas vezes esse fundo de emergência social. As prioridades deste executivo municipal estão invertidas. O Bloco de Esquerda só poderia votar contra esta proposta na AML.

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Engenheiro civil.
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