Os clientes do AtivoBank receberam há alguns dias uma newsletter cuidada, como sempre, com o objetivo de incentivar os clientes a investir em fundos ou ações. Mas desta vez a newsletter tinha um objetivo especial: fazer uma descrição detalhada da dificuldade de acesso à água a nível mundial para incentivar os clientes deste banco do grupo BCP a investir em empresas que atuem no setor da exploração e comercialização da água: da Brita à General Eletric.
O AtivoBank alinha na terminologia financeira sobre o tema e sublinha desde logo que, na banca, não se fala de falta de água ou da sua má qualidade para o ser humano. Fala-se sim, de “Water Stress” – “a procura pela água excede a quantidade disponível durante um determinado período de tempo ou quando a má qualidade da mesma acaba por restringir a sua utilização”. E para os mais descrentes ou novatos neste negócio, explica-se: “Ao contrário do que se possa pensar não são apenas os continentes africano e asiático que se defrontam com este problema nas suas duas vertentes”.
O que olhos não veem o coração não sente, costuma-se dizer, e a água não faltará nas casas dos clientes AtivoBank. Alguns deles saberão interpretar corretamente os seguintes factos: estima-se que em 2040 “cerca de 1/3 da população mundial viva em zonas onde o “Water Stress” seja evidente”. Portugal está desde já identificado (ver pdf abaixo ou clicando aqui) como estando no nível High Stress. A interpretação é simples: Oportunidades. Não há dúvida.
“Invista em Água!” o AtivoBank recomenda. Poupe no duche, lave a loiça no alguidar, e invista os euros na exploração desta “commodity”!
“Commodity”
Sim, a água é mesmo uma Mercadoria. Segundo o Ativo, investir em empresas do setor é até uma responsabilidade, porque as empresas do setor não poderão salvar o mundo sem liquidez “…somos co-responsáveis por injetar liquidez neste setor de atividade e ainda podemos vir a beneficiar dos dividendos e/ ou performance positiva das respetivas ações.”
Mas como instituição responsável o AtivoBank alerta: nem tudo são rosas. Há limitações de “Governance”.
Sim, Governance! Afinal ainda há limitações legais à exploração financeira e privada da água. Logo agora que o setor privado e os afoitos ativistas da finança queriam resolver o problema… da vida. Estas limitações de “governance” só chateiam.
Ainda assim, apesar desta “commodity” ter algumas limitações ao nível de “governance” o “volume de receitas ronda atualmente cerca de 650 mil milhões de dólares americanos e prevê-se que o investimento feito no setor possa ser de cerca de 25 triliões nos próximos 25 a 30 anos.” Uau! Vivam as “commodities” e o “water-stress”! Isto parece ser sério. E vai ser.
769 milhões de pessoas têm dificuldade de acesso a água de boa qualidade. Morrem por ano 842.0001 pessoas (cerca de 2.300 pessoas por dia) devido a consequências gástricas provocadas por consumo de água de má qualidade, mau saneamento e pouca higiene.
Parece tudo tão óbvio: só podem ser boas notícias para quem quer investir.
É altura de investir em água. Investir na General Eletric, na Brita ou na Nestlé, por exemplo, cujo presidente afirma que a água não é um direito humano fundamental (todos sabemos que é o Nesquick o mais fundamental), e cuja reputação vai longe na defesa das populações.
A AtivoBank já avançou, e você?
Ps: Aguarda-se ansiosamente a newsletter do AtivoBank sobre “Alterações Climáticas”, já que nesta edição não tiveram tempo de dizer mais do que há problemas graves devido: “a degradação do ambiente motivada por diversos fatores, a maioria deles relacionados com o uso abusivo dos recursos naturais por parte do ser humano”. O “ser humano”…