Depois de vários anos de serem desvalorizados, espezinhados, abandonados e sujeitos a toda uma burocracia extenuante, pelos vários governos do PS e da direita, os professores chegaram ao limite e revoltaram-se. Os vários sindicatos da classe, alguns deles conciliando com as jogadas do poder, revelaram-se impotentes para conseguir a satisfação de muitas das suas principais reivindicações.
O governo Sócrates, de má memória, entre outras monstruosidades, tentou dividir a classe docente em duas carreiras, através dos famigerados professores titulares o que, devido à impetuosa luta de professores e educadores, enquadrados pelo movimento sindical, caiu por terra. Subsistiu, no entanto, uma avaliação de desempenho perversa e injusta e um grave condicionamento na evolução da carreira através da imposição de quotas no acesso ao 5.º e 7.º escalões. Somado a isto, temos a não contagem integral do tempo de serviço – um roubo de 6 anos, 6 meses e 23 dias. Desta forma, muito poucos docentes conseguirão chegar ao topo da carreira.
Entre outros aspetos, o clímax da saturação foi atingida quando o governo de maioria absoluta do PS pretendeu fazer a revisão do regime de concursos não poupando ninguém, extinguindo todos os quadros e substitui-los por mapas de pessoal para os quais seriam transferidos os docentes dos atuais quadros, acabando com os concursos por graduação e os concursos de mobilidade interna.
Desde o mês de dezembro do ano passado que o movimento de luta dos docentes, a que se juntaram outros profissionais da educação, tem sido histórico. As greves, as marchas e as manifestações têm eclodido em inúmeras escolas, a nível nacional. E um facto inédito, no espaço de mês e meio, foi a realização em Lisboa de 3 manifestações nacionais, juntando em cada uma dezenas de milhares de docentes e de outros profissionais da educação.
O STOP, interpretando o sentimento e o pulsar da classe tem o mérito de ter iniciado e protagonizado o processo de luta mais radical. A FENPROF, inexplicavelmente, e não obstante a experiência acumulada ao longo de décadas de luta sindical, deixou-se atrasar e enveredou por formas de luta a que alguns chamam de “fofinhas”. De qualquer modo, as greves realizadas por distrito revigoraram e deram mais impulso às lutas dos docentes. As lutas não param e, a cada dia que passa, novas escolas aderem ao movimento um pouco por todo o país.
Perante o movimento intrépido dos professores e de outros profissionais da educação o que faz o governo de António Costa? O malabarista Ministro da Educação faz que negoceia com os diversos sindicatos e apresenta uma mão cheia de nada. Pior ainda: decreta serviços mínimos para os docentes e assistentes operacionais, tentando partir a coluna vertebral ao movimento. A alternativa à prepotência e arrogância do governo de maioria absoluta só pode ser a unidade e a intensificação da luta, aumentando os protestos e as greves e voltar a encher a Avenida da Liberdade no próximo dia 11 de fevereiro.
Desde que estejam de boa fé e a favor das reivindicações da classe, todos os sindicatos devem convergir nas lutas e intensificá-las. O pior que poderá acontecer é o sectarismo e a guerrilha intersindical, o que conduzirá à desmobilização e à derrota do movimento. A unidade e o reforço das lutas constituirão condições indispensáveis para a vitória. Ou, pelo menos, para algumas vitórias.