Está aqui

Ai a minha casa… já não é…

Ai a minha casa… já não é… eram as palavras de uma criança de tenra idade que assistia à demolição da sua habitação, ontem!

Ontem de manhã, no Bairro de 6 Maio, Amadora, mais uma vez os moradores acordaram ao som violento das retroescavadoras que tinham como objetivo demolir uma das casas… Nesta habitação residiam várias famílias com 2 grávidas, uma com gravidez de risco, e algumas crianças. Foram todos expulsos do espaço que reconheciam até então como a sua casa!

Sem alternativas de residência, expostos à ordem policial, reuniram os parcos pertences, aguardando que de algum lado lhes viesse uma resposta à sua aflição! Essa resposta… nunca chegou.

Tudo isto ocorre num momento, histórico numa democracia com 45 anos, em que, pela primeira vez a Assembleia da República discute uma Lei de Bases da Habitação com 3 propostas: do PS, do Bloco de Esquerda e do PCP. Isto não acontece por acaso, acontece porque finalmente se assume que tem de haver resposta de dignidade no campo da habitação, primeiro direito, inquestionável na dignidade da vida das pessoas, como centro de pertença, de inclusão na vida das cidades!

Assim não pensa a Câmara Municipal da Amadora, pois ao arrepio das novas discussões, continua com velhos procedimentos sem qualquer humanidade a expulsar do seu precário teto quem pode tão pouco, deixando semeada pelo caminho a aflição e a humilhação da exposição a um processo violento sem que sequer se protejam grávidas, idosos ou, sobretudo, as crianças!

Sobre o/a autor(a)

Vereadora do Bloco de Esquerda na Câmara Municipal da Amadora. Professora aposentada. Dirigente sindical.
(...)